Porto de Sines

Porto de Sines

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Homem e a formiga














O homem
guiava máquina no trabalho
e a formiga
construía sem betoneira
silenciosamente
sem complexos nem diplomas.

E enquanto o homem
invitaminado erguia
casas grandes de cimento e ferro
no chão crescia a obra colectiva
do insecto consciencializado.


E de betão armado
elevador e ar condicionado
para os brancos e negros
indianos
mulatos e chineses dos andaimes
com retratos obrigatórios
nas chapas das radiografias
as casas grandes razando as nuvens
não chegaram.

E no chão
o formigueiro bastou
à incivilizada formiga.

[José Craveirinha]


22 comentários:

direitinho disse...

Boa noite
Passei por aqui e gostei do teu canto.
Este poema é maravilhoso e actual.
A formiga e o homem formiga.
Grandes obras de engenharia física e espiritual.
Vou seguir-te e aprender aqui tanta coisa que me falta.

manuel marques disse...

Gostei.

Abraço.

Regina Rozenbaum disse...

Jorge,Amado (você messssmo! O escritor, guardo no lado direito do peito também)
Que bacana esse poema. Super atual e que nos faz pensar o quanto temos que aprender a sermos "incivilizados"...
Beijuuss n.c.

www.toforatodentro.blogspot.com

Regina Rozenbaum disse...

Voltei rsrs. É que vc sabe que sou sua segunda seguidora, YESSSSSS. Mas não sei o porquê não aparecia minha foto, toda sorridente e feliz rsrs aí tentei de novo e consegui...YESSSS agora tem euzinha aí, só sorrisos, sempre prá vc, amigo, amado!
Beijuuss n.c.

www.toforatodentro.blogspot.com

Jorge disse...

Caro direitinho,
Grato pela tua visita. Esta partilha é de aprendizagem recíproca.
A formiga tem a vantagem dos humildes, ninguém dá por ela...
Vou com satisfação retribuir a visita.
Saudações...

Jorge disse...

Olá Manuel,
Ainda bem que gostou.
Continuo a acompanhar o seu blog com muita atenção.
Um abraço

Jorge disse...

Rê Amiga e solidária,
Eu sei...obrigado pelo seu carinho e simpatia, continua 2ª seguidora mas agora R(ê)aínha feliz e sorridente, obrigado.
A formiga é tão pequenina que nem tem tamanho para ser feia... no entanto é tão linda nos ensinamentos que nos transmite ao observá-la.
BJIS

Silvana Nunes .'. disse...

Salve, Jorge !
Isso se aplica aos dias de hoje, muito atual.
FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... deseja um bom dia para você.
Saudações Florestais !

Kimbanda disse...

Caro amigo Jorge
O homem constrói grandes castelos em fundações duvidosas, e dá passos maiores que a suas pernas permitem.
Os animais ditos irracionais, dão-nos provas a todo o tempo, de como sistematicamente prevaricamos nos mesmos erros.
Excelente, e guardei para mim este ensinamento que me faz falta de quando em vez ler.
Forte e amigo kandando e desejo-lhe um óptimo fim de semana.

PoesiaMGD disse...

Bem delineado e melhor apresentado. Óptimo!

Bom fim-de-semana.

http://www.escritartes.com/forum/index.php?referredby=3

sandra Freitas disse...

Jorge,

Gostei muito do teu espaço. Sobre a formiga e o homem, temos muito a aprender.
A simplicidade e humildade são degraus para uma gloriosa subida. Ao passo que muita bagagem e orgulho, não fazem retroceder, entretanto abrem as portas para a estagnação.
Passe lá no meu blog, vou adorar tua visita..
Tenha um final de semana abençoado..
abraços

Jorge disse...

Kimbanda Amigo,
A verdade é que os animais, neste caso as formigas, dão-nos lições preciosas em termos de organização, trabalho e solidariedade, demonstrando mais "inteligência".
Um forte abraço. Tenha também um feliz fim de semana.

Jorge disse...

Sandra,
Grato pela sua apreciação.
Jesus Cristo, O Mestre dos Mestres, deu-nos um exemplo de humildade, lavando os pés aos seus discípulos e ensinou-nos a apreciar a natureza e as coisas simples.
Seguirei o seu blog com muita atenção. Um bom fim de semana para si.
Saudações sinienses.

Jorge disse...

Poesia MGD,
Obrigado pela sua visita a este recanto.
O mérito vai todo para o grande poeta moçambicano, José Craveirinha, dotado de muito saber e querer africano.
Saudações sinienses.

Graça Pereira disse...

Bela escolha do José Craveirinha!
Adorei este poema. A formiguinha, desde as fábulas de La Fontaine, sempre foi um bicharoco da minha simpatia. Não devem saber nada de democracia, mas dão lições sobre um trabalho partilhado...
Nós, não sabemos mesmo nada!!
Um beijo
Graça

Multiolhares disse...

Sabes que esotérica mente se diz que as formigas são o mais parecido com os humanos e que é até uma civilização que degenerou que entrou em involução, são tão parecidas com os homens que mantem escravas outras formigas para os trabalhos mais pesados.
gostei do teu poema faz pensar.
beijitos

Jorge disse...

Graça,
José Craveirinha é um poeta que tenho "sempre à mão" e cuja ironia muito admiro.
......
Todos nós admiramos e a aprendemos com as formigas na sua labuta no seu vai e vem pelos carreiros...
......
A cigarra no verão cantou e dançou,
A formiga até ao Outono trabalhou,
A cigarra, no Inverno, à formiga uns grãos implorou,
A formiga (não gosta de emprestar) não lhos emprestou,
disse-lhe: Agora dance já que no verão dançou.

...não deixemos para amanhã o que podemos fazer hoje...
Bj

puga assis disse...

Já aqui não vinha há algum tempo e fiquei surpreendido com os progressos em todos os níveis.
Gostei muito dos videos e da pedagogia da formiguinha. Aqui fica o meu abraço

Jorge disse...

Multiolhares,
O autor do poema é o moçambicano José Craveirinha. Nele faz vibrar as palavras, procurando inquietar a inércia das nossas convicções.
.....
Quanto à semelhança esotérica das formigas com os humanos: A biologia evolutiva argumenta ter havido uma primeira espécie ( o ancestral comum a todos os seres vivos) que por acumulação de mudanças originou um enorme número de espécies diferentes...
Poderão, como refere, ter ocorrido "involuções"...
Bjis

Regina disse...

Olá Jorge,mais uma das suas hitórias que nos dá que pensar, mas gostei. Tenho cá uns formigueiros à frente da minha construção que às vezes não dá que pensar só dá que fazer...Quando se lembram de sairem do seu buraquinho correm tudo, danadinhas!!! Bjs e até à próxima...

Jorge disse...

Zito,
Grato pela tua apreciação referente aos progressos, de caracol, deste blog/aprendiz.
A tua presença é sempre um contributo para a valorização deste espaço de partilha.
Um abraço.

Jorge disse...

Olá Regina,
Temos muito a aprender com as formigas laboriosas, se prestarmos atenção às suas actividades. Quando aparecem no exterior as obreiras procuram alimento. À porta ficam as defensoras vedando o acesso às galerias, autênticas obras de arte. Devemos ser tolerantes com elas...
Bjis