Porto de Sines

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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Vila do Bispo - Homenagem aos seus agricultores

Num pequeno passeio [cá dentro] no Barlavento Algarvio chamou-me logo atenção, numa rotunda de acesso à vila, um monumento fálico "sui generis" simbolizando uma espiga de trigo.


Trata-se obra de Mário Miranda dedicada aos agricultores de Vila do Bispo, que foi durante séculos considerada o "CELEIRO DO ALGARVE", com o melhor trigo e a maior produção, sobre as suas colinas ventosas e levemente onduladas.
Recordando um tempo em que o povo chamava aos campos de trigo "campos de pão", esta rotunda, mais que uma marca de identidade perdida, representa uma era que teimamos deixar para trás caídos como somos nos modernismos e das importações.

São porventura do escultor os versos gravados na placa evocativa desta homenagem.


...Uma tarde!... O céu d' Agosto era alado...
... de um arco-íris...  e mais...
... ondulava a forte brisa... na seara...
... um homem ceifava no chão
o trigo já maduro...
...que um dia há-de ser pão...

Mário Miranda
[escultor]

Os campos estão cada vez mais abandonados, fazendo cada  mais com que seja estrangeira a farinha do pão que comemos.

Daí  oportunidade  da frase do Papa Bento XVI sobre a actual  "crise económica":
"PARECE-ME UMA BOA ALTURA PARA QUE SE VOLTE A VALORIZAR A AGRICULTURA".

19 comentários:

acácia rubra disse...

A valorização da agricultura passa por haver uma vontade política ( que não há); passa por dignificar a profissão e passa por desenfarinhar a cabeça de muita gente que se habituou ao facilitismo de ordenados mínimos e subsídios.

Beijo

Osvaldo disse...

Caro amigo Jorge;

Os agricultores merecem sempre o melhor porque foram e são eles que apesar de todo um trabalho metodioso conseguem alimentar a mesa dos que de agricultura nada entendem.
Um grande abraço de gratidão para todos aqueles que sabem trabalhar a terra.

Grande abraço, Jorge.
Osvaldo

FMF disse...

Nada a acrescentar, depois de ler a Acácia Rubra quando diz «passa por desenfarinhar a cabeça de muita gente». Em cheio.

Hana disse...

Mesmo problema temos em meu Brasil amigos. O homem do campo sem valor para políticos, mas estou de novo com vc em seu grito, sempre!!!
com carinho
Hana

Lis disse...

Que levantem vozes pra salvar a vida no campo.
Bom texto Jorge, precisamos denunciar esse abandono.
muitos abraços

Janita disse...

Jorge, meu querido amigo.
Penso que este é um assunto mais complexo o que à primeira vista parece, dada a actual conjuntura política.
Em meados do século passado os campos foram, progressivamente, sendo abandonados com o êxodo dos trabalhadores rurais para as cidades, aquando do boom das indústrias no nosso país. Depois com a nossa entrada para a então União Europeia, hoje, CEE, chegaram a ser distribuidos subsídios aos agricultores para que estes deixassem os campos por cultivar. Hoje, com a crescente crise economico-financeira mundial que afecta, especialmente, a classe trabalhadora, surge a necessidade de deitar mão ao plantio da terra e voltar a torná-la produtiva. Existem localidades, onde os espaços das enormes rotundas começaram a ser cultivadas com hortaliças e legumes. O expectro da fome é uma ameaça real e o nosso governo, e não só, em vez de procurar medidas de subsistência para o povo, prefere aumentar os impostos para resolver o défice orçamental.
Daí a preocupação da Igreja ao exortar a valorização da agricultura, uma vez que é da terra que vem tudo o que consumimos. Eu, por exemplo, já acabei com um bom bocado de jardim e este Verão plantei alho francês, tomate, cebola e outros legumes.
É verdade Jorge, os tempos vão dificeis e nós temos que nos habituar a resolver as coisas sem ficar à espera que seja o Estado a dar-nos tudo.
Bem amigo Jorge, creio que me apanhou naqueles dias de deitar tudo cá para fora e mais uma vez perdi a noção do tempo e do espaço.
Se achar que isto é uma seca, olhe, não o publique...
Beijinhos
Janita

Hana disse...

Em fim venho admirar a escultura, e matar as saudades deste cantinho. Tudo de mais belo a vc e aos seus!!!!
Com carinho Hana

Janita disse...

Jorge, meu amigo.

Isto para lidar comigo é preciso paciência...

Ao ler o que escrevi ontem, reparei que devia ter acrescentado "quase" ao tudo que consumimos.
Porque, óbviamente, nem tudo nos vem da terra.

Tenha lá paciência com esta sua velha amiga tão difícil de aturar...
Beijinhos

Janita disse...

E agora meu amigo, venho felicitá-lo pelas bonitas e oportunas imagens com que ilustra este texto.
Vila do Bispo foi considerada o "Celeiro do Algarve". Mas, como o Jorge sabe, o Alentejo foi, desde sempre e até há poucas décadas atrás, considerado o celeiro de Portugal.
Dá pena ver campos de girassol, onde antes se viam searas de trigo, ondulando ao vento...
Beijinhos
Janita

Maria disse...

Amigo excelente post como sempre. Lembro-me tão bem quando era criança e ia de férias para o Alentejo, para casa dos meus avós, de ver os campos todos repletos de trigo, hoje é apenas uma recordação que conto aos meus filhos.
Tenha um fim de semana cheio de alegria e paz.
Beijinhos
Maria

**♥✿-franciete-✿♥** disse...

Meu bom amigo
nem só de trigo se faz o pão
mas onde vamos encontrar
quem amanhe o nosso chão
tudo se perde no tempo
hoje ninguém é capaz
de deitar a semente há terra
e fazer nascer a paz.

Adorei te ler sempre que posso eu aqui estarei, beijos de luz e paz

**♥✿-franciete-✿♥** disse...

Voltei para lhe deixar este versinho que vem a jeito da sua postagem.

Deitar a semente há terra
a terra que nos dá o pão terra por mim cuidada e com lágrimas regada
terra do meu coração.

JB disse...

É verdade cada vez mais me parece que temos de "meter mãos à terra" e isto não só na agricultura.

Interessante e pertinente partilha, Jorge!

Beijinho

Laura disse...

Que haja sempre pão em todos os campos e que nunca nos cansemos de semear...

Um abraço da laura

Graça Pereira disse...

Meu Amigo
A Rotunda é bonita e significativa. É preciso voltar a dar-lhe sentido...
Fiquei feliz há dias, quando vi na televisão que,á volta de Lisboa e até dentro dela, estão a surgir pequenas hortas... Temos de ser inteligentes e pensar que não é um retrocesso no tempo...é apenas, o modo de podermos avançar!!
beijo
Graça

"quicas" (joaquim do carmo) disse...

Texto muito oportuno, Jorge, parabéns: "Os campos estão cada vez mais abandonados, fazendo cada vez mais com que seja estrangeira a farinha do pão que comemos" - triste situação a nossa, com tantos campos ao abandono!
Abraço

FlorAlpina disse...

Olá Jorge,
Muito completo o seu texto, seria boa altura de valorizar aqueles a quem poucos dão o devido valor!

Bjs dos Alpes

Aqui - Ali - Acolá disse...

Um bom post que relata uma grande verdade.
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Recordando um tempo em que o povo chamava aos campos de trigo "campos de pão", esta rotunda, mais que uma marca de identidade perdida, representa uma era que teimamos deixar para trás caídos como somos nos modernismos e das importações.
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Marcar identidades perdidas é o pão nosso de cada dia neste país governado por gente sem escrúpulos que a pouco e pouco está enterrando todo um passado em que por cá a terra era fértil e bem aproveitada para bem do país.

Hoje vive-se quase de esmolas em que quem trabalha não tem valor chegando ao cúmulo de também haver quem muito trabalhou ter que ir à sopa dos pobres para fazer face à fome que até eles chegou.

Claro que os Engenheiros também vem do povo mas, há Engenheiros e Inginheiros, que é muito diferente onde a diferença é marcada pela identidade e a descrença de um povo que deixou de acreditar naqueles que por arte e magia só o são graças a um canudo obtido de forma fraudulenta como todos os de boa memória sabem.

Abraço e bom início de semana.

Jorge disse...

Amiga[o]s, desde Acácia Rúbia até Aqui Ali e Acolá:

Mais uma vez agradeço as vossas opiniões que referem não só a necessidade urgente de valorizar, revitalizar e apoiar a agricultura, passando pelo reconhecimento de que são os agricultores que alimentam a nossa mesa, mas também pela necessidade recuperar o tempo perdido de forma que reapareçam não só os celeiros do Algarve [Vila do Bispo] e de Portugal [Alentejo] mas ainda outros "campos de pâo".
Olhemos pois esta rotunda como um símbolo da identidade perdida e tornar a dar-lhe sentido.
Um abraço e uma boa semana para tod[a]os.
Jorge