Porto de Sines

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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A Caça de Outrora em Vilarinho

A caça e o mundo rural estão interligados por razões de subsistência e sociabilidade. Faz parte da idiossincracia dos habitantes rurais que se transmite de pais  para filhos.


Em Outubro abria a tão ansiada época oficial da caça.

O «Carrasqueira», meu vizinho, na rua da Calçada, era um bom caçador, tinha dois cães perdigueiros e um furão, animal de utilização na altura proíbida. Era usado pelos caçadores para entrar nas tocas dos coelhos obrigando-os a sair, ficando ao alcance do tiro do caçador. O «Carrasqueira» tinha o seu furão dentro de uma espécie de tubo em cortiça, com furos num dos topos e uma tampa de abertura no outro. Leite e soro faziam parte da alimentação do furão.


O Armando Mesquita, pai do Armandito, da Isaura e da Alicita, também fora caçador, e muitos mais havia em Vilarinho.

A zona de Vilarinho era rica e privilegiada em termos de caça. Para lá até acorriam caçadores do Porto, propositadamente para caçar.

De manhã, mal o sol abria os olhos por detrás dos penedos, os caçadores lá partiam a pé de espingarda ao ombro e cartucheira à cintura; espalhavam-se pelos montes povoados por tojos, giestas, silvas e outra vegetação de pouco préstimo, não obstante esconderem os coelhos que cães e homens procuravam. Incitavam os cães com «busca!!, busca!!» e outras palavras e sons. Eram preciosos para obrigar os coelhos a abandonar os silvedos  e os matagais.

Caçava-se mais, a cada passo que caçador dava, achava um bando de perdizes ou uma «carrada» de coelhos, a caça mais atratível. Mais raras eram as lebres um complemento muito apetecível.

Ao meio-dia era a hora do almoço, hora de confraternização. Sacavam dos farnéis, das botelhas e engoretas de vinho e aí vai disto.

Da parte de tarde já a caça não tinha o mesmo entusiasmo e rendia pouco. Os caçadores já um pouco cansados regressavam ao povoado, exibindo  os proventos da caçada.

Para a próxima vez haveria mais.

[CAJOCO - CAÇADOR IMPROVISADO]


Imagens [furão e coelho] Google

7 comentários:

Regina Rozenbaum disse...

Sei que é até tradição a tal temporada de caça...mas tenho uma tristeza pelos animais. Talvez por acrecitar que ela só deveria acontecer como nos tempos das cavernas...para sobreviver e não como um "esporte".
Beijuuss, amado, n.a.

Luís Coelho disse...

Nunca fui caçador nem tive na família
alguém com essa tendência.
Considero a Caça um desporto com muita responsabilidade.

O convívio entre os caçadores era outra faceta que os reunia sempre e cada dia com histórias ainda melhores.

Graça Pereira disse...

Não é que eu gosto de caça? E porquê?
Durante anos e anos , eu e o meu irmão acompanhamos extasiados os preparativos para uma caçada...em Moçambique! Entusiasmava-nos todo aquele ritual da limpeza das armas, as caixas com as munições, as lanternas, a consulta do tempo e, por último, a par da cesta das merendas, os termos com muito, muito café! Era caça grossa, já se vê!
Adolescentes, tivemos como prémio de bons resultados nos estudos, de participar numa caçada...Nunca esquecerei tanta emoção misturada com medo, expectativa e o silêncio que era preciso guardar, quando o coração batia descompassadamente...
Com direito a leões e a gazelas...
Dá para esquecer??
Beijo amigo.

Graça

vitorchuvashortstories disse...

Olá, Jorge!

Para muita gente, ainda hoje, a caça continua a ser uma paixão. Que faz andar muitos quilómetros, gastar muito dinheiro, mas que eles não dispensam.Para outros é gosto discutível, e tema que dava pano para mangas ...
De espingarda nunca andei; a minha caça não passou das fisgas, armadilhas e redes - mas confesso que na altura me entusiasmava, me sabia bem...não só pelo acto de caçar mas também pela companhia.
E foi bom recordar aquilo que há muito tempo já lá vai, através desde bem escrito texto.

Abraço amigo; boa semana.
Vitor

joaquimdocarmo disse...

Olá, Jorge!
Nunca fui caçador mas, lendo este agradável texto, não posso deixar de apreciar a arte desses aventureiros que, de arma em punho e uma boa matilha de cães devidamente treinados se embrenha por entre matagais à procura dos troféus sonhados o ano inteiro!
Abraço
Quicas

Ángel disse...

Un gran trabajo, te felicito por esta entrada
Un abrazo

Ana Tapadas disse...

Como alentejana que sou sei disparar uma arma, embora pacifista por natureza.

Achei um post muito interessante.


bsj