Porto de Sines

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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

"Não há carro como o primeiro"

As minhas memórias, que neste momento ainda resistem, vagueiam pela aldeia de Vilarinho da Castanheira onde, junto à "fraga do ovo", o Dr. Belarmino, meu pai, retratou o meu primeiro carro [um Renault 8] recentemente chegado, em rodagem, de Paris, onde o fui levantar no verão de 1965.

Comprei-o em Lourenço Marques [Moçambique] por 39.500$00, com a condição de o ir levantar à fábrica [Règie National des Usines Renault], em Paris. Em Portugal, durante a minha licença graciosa, circulou com a matrícula internacional de "turista em trânsito" [TT].

Era um utilitário que no dia a dia me levava, bem como à família, para onde queria.
Não tinha vidros eléctricos, nem ar condicionado, nem rádio com leitor de CD. Tinha apenas um leitor de cartuchos. Tinha, isso sim, uma chibante faixa branca a adornar os pneus que eu me esforçava por manter imaculada. Era o meu carro sim, achava-lhe "graça", carismático e de personalidade forte. 

Algumas das minhas memórias mais fortes estão associadas a momentos vividos com ele na estrada.

No regresso, em fevereiro de 1966, embarcou connosco a bordo do Príncipe Perfeito, rumo a Lourenço Marques, onde foi legalizado.

cajoco

24 comentários:

oteador disse...

una buena historia, jeje!!. me acuerdo de esos renault 8, pero no lo asocio con utilitarios, eso eran mas bien los r-4....¿no?. saludos

lis disse...

Oi JOrge
Quando vemos os primeiros sonhos sendo realizados, é spo alegria e a gente nunca esquece.
Saudade é isso _ lembrar das coisas boas que ficou lá atrás.
Um Renault muito inteirinho_ dá até pra ver a placa e TT tá lá _ de carro passeando em Paris ( não é pra todo mundo rs)
Obrigada por compartilhar suas memórias Jorge,
boa semana e um abraço

Jorge disse...

Oteador,
Tens razão, a Renault 4L era a genuína utilitária.

quem és, que fazes aqui? disse...


39.500$00! Uma fortuna para a época!
Mas uma beleza de carro e o primeiro!

"Não há carro como o primeiro" e eu acrescento... nem amor! :))


Beijinho, Jorge

Laura

Jorge disse...

Lis,
A memória, de vez em quando, transporta-nos a momentos felizes do nosso passado.

Jorge disse...

A citação: "Não há carro como o primeiro", teve esse mesmo suporte [... nem amor] e inspiração.

Flor da Vida (Suelzy Quinta) disse...

O primeiro carro, o primeiro amor, a primeira inspiração... Tudo isso é inesquecível.

Mas adorei a forma como descreveu a emoção sentida ao adquirir o primeiro carro, visualizei a cena linda que marcou esse momento tão especial em sua vida.

Grata pela visita e comentário, viu?

Fica com meu carinho...
Beijos floridos.

Jorge disse...

Suelzy Quinta,
Bem-vinda hoje "Quinta"-feira ao Azimute e ter-se inscrito como seguidora.
É bom celebrar o milagre dos momentos inequecíveis e que não se repetem.

vitorchuvashortstories disse...

Olá, Jorge!

Em nome do meu blogue, começo por pedir desculpa por ele lhe ter "barrado a entrada", por razões que só ele lá saberá - e de que eu não tenho ideia nenhuma;pelos vistos, não tenho mão nele...

Pois o meu primeiro carro foi um Fiat 127, e o tomar posse dele um grande acontecimento, como aqui O Jorge aqui bem descreve.Eram então bem mais simples, e com menos distracções lá dentro quando comparados com os de hoje...

Memórias que ficam de tempos que já foram-e que sabe bem recordar.E que eu gostei de ler!

Abraço amigo
Vitor

Jorge disse...

Vitor Amigo,
É estupendo contar memórias quase 50 anos depois de sucederem.
O Fiat 127 também foi um carro carismático, sim senhor.
Barragem!? Involuntária e certamente exagerada por mim face à minha inexperiência nestas lides na internet. Dela beneficiou o prazer de receber um comentário seu com interesse redobrado.

Ana Tapadas disse...

Que história de vida linda!

Pois olha, meu amigo, nessa época eu estava a entrar para a escola primária e tive direito a um triciclo...e como eu o usei!...até os joelhos lá caberem.

bj

BlueShell disse...

O 1º carro é sempre o 1º carro: um marco na nossa vida. Bj

luís rodrigues coelho Coelho disse...

O meu primeiro carro foi um Citroen de dois cavalos.
Nunca mais o esquecerei.
Era velho quando o adquiri e começou por me dar muitos problemas.
Hoje faria como diz o PPCoelho:
- Custe o que custar hei-de mante-lo a trabalhar.
Quando vejo algum a circular por ai fico a sonhar.

Graça Pereira disse...

Antes de ler o teu texto, pensei que a marca do carro fosse um Zéfir, também muito usado nos anos sessenta...em Moçambique.
O nosso primeiro carro, tem sempre uma história linda e faz parte da "família". Lembro-me do meu Boguinhas- Fiat 500 vermelhinho que, com muito carinho, coloquei a sua foto no Zambeziana..Saudades dele e das vidas que ele rolou pelas estradas da Zambézia...como tu, com o teu Renault...Sabe bem recordar.
Beijo amigo
Graça

Tunin disse...

Um primeiro carro é sempre como a primeira namoradinha. A gente nunca esquece.Lembro-me do meu fusquinha branco que comprei com o suor do meu rosto e que era sensação entre os amigos. Ao vendê-lo, bateu-me uma grande nostalgia.
Abração.

Regina Rozenbaum disse...

A gente não se esquece mesmo! Para mim foi uma conquista suada...e mantive meu 1º como se fosse um zerokm último modelo rsrs Era um corcel I da Ford.
Beijuuss

Fê Blue bird disse...

Estou de acordo com a amiga Laura.
Nada se compara ao primeiro carro, ao primeiro amor, ao primeiro beijo :)

beijinho

Tunin disse...

Passando para te deixar um grande abraço.

Andradarte disse...

....desde que seja um R8....
Era um belo carro...Eu tive um em 2ª mão, num amarelo canário lindo...

Um Bom fim de semana
Abraço

Franciete Filipe disse...

Olá meu querido amigo, as nossas recordações tanto as de infância, como as de juventude são sempre as que nos deixam as marcas para a vida inteira.
Que bom as fotos a palel tanto da koodac como as Fidhji que algumas ainda se mantem em belicimo estado.
Amigo e não é que o carro era um verdadeiro possante! Pois a avaliar pelo peso da fraga que ele carrega, se vê a força que o bicho tinha...Jorge amigo, que tenha um lindo e santo domingo mesmo com todo este mau tempo, mas estamos vivos e isso é muito valioso...beijinhos de luz e muita paz.
PS:é sempre um prazer recebe-lo nesta humilde casa.

Angel Corrochano disse...

Todo un renault 8, ese si era un coche. ¡¡Que tiempo!! y que buenos recuerdos. Por aquel entonces era un niño y me gustaba viajar con mi tía en su "600".
Buen recuerdo nos traes
Un abrazo

Guma Kimbanda disse...

Eu tive um 8cinzento claro)e só me deixou boas lembranças.
O custo dele usado não foi muito diferente, passados tantos anos do inicio de sua fabricação. Tempos em que se faziam coisas para durar e não para o exigente consumismo de hoje.

O nome dele era o "reloginho" e tinha a sua razão de ser, portava-se sempre muito certinho.

Kandandos amigo Jorge

wilsonn goncalves disse...

Olá linda fotografia, também a minha imaginação esta a voar, e concentrar-se na rocha, situa-se um pouco antes da aldeia de Candoso, flor vila, tras-os-montes , na Estrada Nacional 214, é um exemplo de como a memória vive, produz alegria, tristeza, inquieta o coração. Vejo a fotografia e eu me lembro de tudo o que meu pai me disse, foi uma época de ditadura, fome, então optou como tantos homens migrar para melhorar a vida de si mesmo e sua família, tinha apenas 17 anos quando decidiu procurar mundo .
Esta foto apareceu quando eu estava procurando alguma coisa na net, não resisti comentar
, obrigado e saudações

Jorge disse...

Wilson Gonçalves,
Bem-vindo ao Azimute. Agradeço as suas amáveis saudações.
A "fraga do ovo" é um verdadeiro "ex-libris".
Eu também emigrei para Moçambique, aos 22 anos, em plena ditadura, procurando uma vida melhor.
Os momentos mais importantes da nossa vida continuam na nossa memó ria e despertam esses sentimentos a que se refere, sendo ao mesmo tempo de uma imortalidade consoladora.
Um abraço,
Jorge