Porto de Sines

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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Este Senhor é que sabia



" Depois de algum tempo aprendemos a diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.

Aprendemos que amar não significa apoiar-nos e que companhia nem sempre significa segurança.
Aprendemos que beijos não são promessas.

E começamos a aceitar as derrotas com a cabeça erguida.

Aprendemos a construir a nossa estrada no hoje, porque o amanhã é incerto...

Depois de algum tempo aprendemos que o sol queima se ficarmos expostos por muito tempo.

E aprendemos que não importa o quanto nós nos importamos, algumas pessoas simplesmente não se importam...

E aprendemos que não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai ferir-nos de vez em quando e precisamos perdoá-la por isso.

Aprendemos que falar pode aliviar as nossas dores emocionais.

Descobrimos que levamos anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que podemos fazer coisas num instante, das quais nos podemos arrepender o resto da vida.

Aprendemos que as verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.

E O QUE IMPORTA NÃO É O QUE TEMOS NA VIDA, MAS QUEM TEMOS NA VIDA.


E os amigos são a família que nos permitiram escolher. Percebemos que as pessoas que mais amamos na vida são levadas de nós muito depressa, por isso devemos deixá-las sempre com palavras de afecto, porque pode ser a última vez que as vemos.

Descobrimos que levamos muito tempo para nos tornarmos na pessoa que queremos ser, mas que o tempo é curto.

Aprendemos que não importa onde já chegámos, mas para onde vamos, e se soubermos isso, qualquer lugar serve.

Aprendemos que, ou controlamos as nossas acções ou elas acabam a controlar-nos.

E que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, porque em todas as situações existem sempre dois lados.

Aprendemos que paciência requer muita prática.

Descobrimos que algumas vezes as pessoas de que menos esperamos são aquelas que nos estendem a mão e ajudam a levantar quando caímos.

Descobrimos que só porque alguém não nos ama da forma que nós gostaríamos, isso não significa que esse alguém não nos ame com tudo o que pode.

Aprendemos que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes temos que perdoar-nos a nós próprios.


Aprendemos que não importa em quantos pedaços o nosso coração foi partido, o mundo não pára para que o possamos consertar.

Aprendemos que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

Aprendemos que somos realmente fortes.

E que a vida tem muito valor e que nós temos muito valor perante a vida!"




William Shakespeare

Imagem Google

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Silves / Xilb ou Xelb [II]









Retomando a história do domínio árabe na Península Ibérica giramos à volta da figura lendária de Al Mu'tamid Ibn Abbad político-poeta, que nos legou um património único que urge preservar, dar a conhecer e reviver.

Com a queda do Califado de Córdoba e na ausência de um poder aglutinante, surgiram na Península Ibérica em 1031, uma série de reinos independentes, movidos e disputados pelas diferentes forças locais: árabes, moçárabes e convertidos.

É neste ambiente de disputa que os Abábidas criam a Taifa de Sevilha, que cedo engloba a região do Gharb e Silves, Al Mu'tamid Ibn Abbad, Senhor de Sevilha, torna-se também senhor de Silves, e nomeia como Governador o seu filho Al Mu'tamid Ibn Abbad, nascido em 1040 em Beja, que fará de Silves a sua capital, a partir de 1053.

É ao lado de Ibn Ammar, poeta natural da região [Estombar] e que se tornará seu amigo, que Al Mu'tamid reúne em Silves uma corte de intelectuais, poetas e geógrafos, [Mariame Alansari, Assilba, Ibn Qasi, Ibn Badrum, etc.] que farão de Silves uma capital, não só política como administrativa, mas também cultural, atingindo um esplendor nunca visto e uma importância considerável em todo o Extremo Ocidente.

A vida de Al Mu 'tamid / Poeta do Destino está na poesia e a poesia na sua vida.

É dele este poema:


Inocultável

por receio de quem espia
com muita inveja a roer
ela não veio nesse dia
pra assim traída não ser
pla luz do rosto esplende,
plas jóias a tilintar,
e plo perfume do ambar
a que o corpo rescende.

é que ao rosto, com manto,
tapá-lo inda poderia,
e as jóias entretanto,
fàcilmente as tiraria,
mas a fragância do encanto
pra ocultá-la que faria?


Em 1069, Al Mu'tamid deixa Silves e torna-se rei de Sevilha confiando Silves ao seu amigo Ibn 'Ammar.

O relacionamento entre Al' Mutamid e Ibn 'Ammar torna-se cada vez mais difícil, possessivo e inclusivamente ofensivo, chegando ao ponto de Ibn 'Ammar compor poemas em que ridiculariza 'Itimad, a bela mulher do rei-poeta, conhecida na corte de Sevilha como a Saídat-al-Kubra [a grande senhora], odiada por muitos juristas e religiosos prontos a traírem o seu nome e do seu soberano.


A AL MU'TAMID

Nada me move, meu príncipe,
Senão a tua vontade.
Contigo vou,
Como viajante noturno
Guiado pelo clarão dos relâmpagos.
Queres voltar para a tua amada?
Vai num rápido veleiro
E seguirei no teu encalço,
Ou salta antes para a sela,
Contigo irei também.
E quando,
Graças à protecção divina,
Chegarmos aos umbrais do teu palácio
Permite que torne sòzinho à minha casa.
Não percas tempo a sacar da espada!
Lança-te aos pés da que tem a cintura delicada
E compensa-a do tempo perdido.
Beija-a e aperta-a contra o peito.
E murmurem vossas bocas
Meigas e doces palavras,
Como os pássaros se respondem mutuamente
Em suaves cantos ao romper de alva




Perdoa e ganhará o amor
Um outro realce, outra beleza.
É que se punires será o rancor
A tomar mais evidência e mais clareza.

(...)

Perdoa! O que partilhamos me redime
Nos espaços perfumados do Allah
Apaga os vestígios do meu crime!
Venha da clemência o teu soprar
E tudo enfim desaparecerá.

(...)

Que se eu morrer, fique contigo
Uma réstea de consolação.
Morrerei mas levarei comigo
A violência da minha afeição.


Poemas escritos por Ibn 'Ammar


Ibn 'Ammar trai várias vezes Al Mu'tamid que em nome do passado sempre lhe perdoa, mas no final acaba por mandar prendê-lo e mata-o na sua cela.

O final do reinado do rei-poeta fica marcado pelas ameaças cristãs ao seu reino, que o levam a pedir apoio ao novo soberano de Marrocos, Yussuf Ibn Tachfin, líder da Dinastia Almorávida e fundador da cidade de Marraquexe.

A entrada dos Almorávidas na Península é impiedosa, unificando o território sob o seu poder e desterrando Al'Mutamid e sua mulher 'Itimad para Agmat, nos arredores de Marraquexe, onde terminam os seus dias num miserável cativeiro.


"Grilheta, não sabes que já sou teu?
Porque és dura e sem piedade?
Se esse ferro deste sangue já bebeu
E a minha própria carne já morde
Não me roas os ossos por maldade."


Poema escrito por Al Mu'tamid





Túmulo de Al Mu'tamid




Actualmente a figura de Al Mu'tamid constitui mais do que nunca o ponto de convergência de sábios, poetas, historiadores, linguistas ou responsáveis políticos para recuperação de um passado comum e uma estratégia de cooperação entre Portugal Espanha e Marrocos.

Fonte:Internet

terça-feira, 27 de julho de 2010

Silves / Xilb ou Xelb [I]

São frequentes as minhas evasões para a Quinta das Cortes, quinta secular de compropriedade familiar, situada no alto do barrocal algarvio, entre a beira-mar e a serra, no sopé de um cerro, próxima de S. Bartolomeu de Messines [terra do guerrilheiro Remexido e do poeta João de Deus].

Ali ignorando o relógio, desconhecendo horários, rodeado de alfarrobeiras, figueiras e amendoeiras, com o mar a desafiar-me na linha do horizonte, tenho tempo para divagações e invocações de quiméricos projectos, justapondo as minhas raízes rurais transmontanas.

De manhãzinha ou à tardinha, gosto de andar pelos carreiros , por vezes, surpreendido por uma cobra que os atravessa ou um coelho que salta da sua cama próxima, ao mesmo tempo que me regalo com o canto dos passarinhos e das rolas gordas, das poupas, dos picanços e outras aves, que esvoaçam de árvore em árvore, bem como perscrutar as corujas que se acoitam nos buracos das paredes da nora, à boca da qual vou provar o eco.
Observo ainda o brilho reluzente dos pirilampos, luzes perenes no escuro das noites.
Os meus pássaros preferidos, desde a infância, são os irrequietos pintassilgos doirados, pela alegria do seu canto e cores vivas da sua plumagem. De quando em também diviso um camaleão, regalado ao sol ou movimentando-se lentamente, num ramo de uma árvore à espera de lançar a língua pegajosa [enrolada dentro da boca] para fora, por forma a alcançar o alimento.















Nas minhas ausências deste paraíso rural vou a Messines ou a Silves onde no Al Karib, num ambiente tranquilo, saboreio o meu café [com um rebuçado] e leio as últimas no meu diário preferido, o JN.
O nome Al Karib faz jus às tradições árabes de Silves.

Silves cidade histórica do Algarve, situa-se também no barrocal algarvio. A sua importância ao longo da sua história deve-se muito ao rio Arade, que corre lentamente para o mar e sempre serviu a cidade e as suas férteis margens.

As suas origens, muito remotas, são de difícil datação. Pensa-se ter origem anterior á chegada dos cartagineses, talvez de fundação fenícia [900 a.C.].

OS ÁRABES EM SILVES

É no período Árabe, entre o século VIII e XII, quando o seu nome é Xilb ou Xelb, que atinge o seu esplendor tornando-se uma das mais importantes cidades do Garb al-Andalus. Foi então várias vezes capital e desse período legou-nos uma quantidade de vestígios que não deixam dúvidas sobre o seu nível cultural dessa época.

Ocupada pelos árabes vindos do Iémen e por colonos norte-africanos após a ocupação da península ibérica no século VIII, Silves passou a fazer parte do califado Omíada de Damasco e abraçou a civilização especial árabe. A cidade era o berço da dinastia independente, a de Banu Muzain.

Em 1053 foi conquistada por Al-Mutamid, senhor do Reino de Taifa de Sevilha através do comando do seu filho Al-Mutamid que transformaria Silves numa cidade cosmopolita, admirada por todo o império Muçulmano, onde a cultura assumiu posição de grande importância "A poesia de AL-MU’TAMID".

Além de Governador de Silves e Rei de Sevilha de 1053 a 1091, Al-Mu’tamid permaneceu na história como grande poeta que nos levou a uma admirável e nostálgica poesia, que poetas, escritores e historiadores árabes não deixaram de glorificar. De características amorosas, trágicas e históricas a sua poesia testemunha não só uma época histórica muito conturbada, como descreve com grande minúcia os ambientes exuberantes, os prazeres, as vivências eos sentimentos que rodearam.

É de Al-Mu’tamid a mais antiga referência ao Palácio das Varandas e a uma das mais belas descrições de Silves:



EVOCAÇÃO DE SILVES


SAÚDA, por mim, Abû Bakr
Os queridos lugares de Silves
E diz-me se deles a saudade
É tão grande quanto a minha.

Saúda o Palácio dos Balcões
Da parte de quem nunca o esqueceu,
Morada de leões e de gazelas
Salas e sombras onde eu
Doce refúgio encontrava
Entre ancas opulentas
e tão estreitas cinturas.

Ai quantas noites fiquei,
lá no remanso do rio,
Preso nos jogos do amor
com a pulseira curva,
Igual aos meandros da água,
enquanto o tempo passava…

ela me servia vinho:
o vinho do seu olhar,
às vezes o do seu copo,
e outras vezes o da boca.

tangia-me o alaúde
e eis que eu estremecia
como se tivesse ouvido
tendões de colos cortados.

Mas se retirava as vestes
grácil detalhe mostrando,
era ramo de salgueiro
que me abria o seu botão
para ostentar a flor.

A sua mulher Itimad Al-Rumaykya um dos seus mais belos poemas de amor.

Acróstico

Invisível a meus olhos
Trago-te sempre no coração
Te envio um adeus feito paixão
E lágrimas de pena com insónia.
Inventaste como possuir-me
E eu, ó indomável, submissa vou ficando!
Meu desejo é estar contigo sempre,
Oxalá se realize tal vontade!
Asseguro-te que o juramento que nos une
Nunca a distância o fará quebrar.
Doce é o nome que é o teu


E aqui fica escrito no poema: Itimad

Al Mutamid Ibn Abbad, séc. XI in Adalberto Alves “Al Mu' tamid, poeta do destino” 1999





Estátuas que evocam personagens árabes



Praça com o nome do famoso filho do rei que no século XI conquistou Silves.
Esta praça estende-se pela margem direita do rio Arade.


É um espaço privilegiado onde se realizam várias actividades culturais durante o Verão.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Júlio Cardoso Actor e Encenador

Conheci Júlio Cardoso nos anos 50.

Formávamos então uma tertúlia de amigos que costumavam encontrar-se junto a um pequeno quiosque ao cimo da rua da Torrinha, próximo da rua de Cedofeita, na cidade do Porto. Dela faziam parte o Julinho (da Regisconta), o meu irmão Zito, o Lamartine, o Jorge (de Cedofeita), o Jorge (o engenheiro), eu Jorge (o doutor), o Luisinho, o Arturinho e outros.

Encontrávamo-nos também no Café Ceuta e no Porto Bilharista, onde conversávamos e disputávamos intermináveis partidas de bilhar livre, snooker e zanzi golf. Por vezes também jogávamos e disputávamos torneios de ping pong na sede da JUC. Outrossim fazíamos incursões pela noite portuense.

Nessa altura, não obstante a boa disposição e companheirismo, não se perspectivava ao "nosso" Julinho a sua brilhante carreira de 50 anos dedicados ao Teatro, com incursões frequentes pelo cinema e televisão, que culmina com a estreia no Teatro de Campo Alegre, no Porto, "Eu sou a minha própria mulher", monólogo em que interpreta 30 personagens.

Embora tenha acompanhado a sua brilhante carreira um pouco à distância, não quero deixar de lhe dar os parabéns, desejando-lhe um próspero 2010 com muita saúde e felicidade.

Poesia de todos

...Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI (Porto Editora), com Prefácio de Vasco Graça Moura, é uma obra monumetal compilando 267 poetas e mais de 2 mil poemas.
... É a primeira antologia a ser apresentada num só volume, uma viagem temporal por oito séculos de poesia escrita, que chega a 2008.
... Nesta antologia estão representados poetas contemporâneos como: Sofia Mello Breyner, Alexandre O'Neil, Eugénio de Andrade, Gastão Cruz, Al Berto, Pedro Mota e iguamente poetas novos, nos vários sentidos da palavra, como: Adília Lopes, Rui Pires Cabral, Luis Quintais e José Miguel Silva.


(Visão 31.12.2009)