Decidi recuar no tempo e contar-vos uma singela história dos tempos da minha infância em Trás-os-Montes.
O Cai – Cai era um pobre homem que deambulava
de povoação em povoação, mendigando uma côdea de pão ou uma malga de caldo
ou de soro para mitigar a fome. Andava andrajoso, sempre com uma inseparável
corneta.
Tinha um espírito muito bom e muito paciente para com a
garotada [de que eu fazia parte] que o apoquentava gritando-lhe: «Toca a gaita Cai
– Cai…! Toca a gaita!»
E o bom do homem lá tocava a gaita e fazia umas pantominas a
troco de uns tostões.
O Cai-Cai aparecia e desaparecia de Vilarinho. Até que
deixou de aparecer. Então circulou na boca do povo a novidade de que tinha sido
comido pelos lobos, que só lhe deixaram os pés dentro das botas. Foi uma
notícia que entristeceu toda a gente.
O Cai - Cai nunca mais foi visto.
cajoco

