Porto de Sines

Porto de Sines

quarta-feira, 9 de maio de 2012

"Cruz de Portugal"

A nascente de Silves encontra-se a enigmática e de incontestável beleza "Cruz de Portugal". Trata-se  muito possivelmente de um cruzeiro do século XV ou início do século XVI esculpido em calcáreo branco.

Os motivos artísticos que evidencia são atribuidos ao gótico florido, muito embora haja quem ostente que a "Cruz de Portugal" apresenta motivos e símbolos manuelinos.


Esta obra, classificada como Monumento Nacional desde 1910, mede cerca de 3 metros de altura e ostenta um minucioso trabalho escultórico



representando numa face   Cristo crucificado



e do lado oposto Cristo descido da cruz nos braços de sua mãe.

Misterioso é o facto de se atribuir à cruz o nome de "Cruz de Portugal", o que permite conferir leituras diversas no que concerne às suas origens. Contudo, uma das teses mais defendidas é de que a cruz foi objecto de oferta à cidade pelo então Rei de Portugal, D. Manuel I, quando a Silves se deslocou, em 1499, para acompanhar a trasladação dos restos mortais do seu antecessor, o rei D. João II,  que na Sé de Silves se encontrava sepultado, para o Mosteiro da Batalha.


Na base do monumento pode observar-se a data de 1824 que muito provavelmente corresponderá à data da efectivação da base.


Fonte: Extrato de um folheto editado pela C. M. Silves                                                                              Fotos: cajoco

quinta-feira, 3 de maio de 2012

"Cortejo Da Queima Das Fitas"

Nasci, cresci e vivi, a paredes meias, com consultas e doentes que acorriam ao consultório do Dr. Belarmino, meu pai, o que de certa maneira contribuiu para, uma vez concluido o liceu, eu abraçar a carreira de medicina.

Naquele tempo, o mês de Maio era, e pelos vistos ainda é, o mês da "Queima das Fitas". Reporto-me aos fins dos anos cinquenta, do século passado, em que participei no cortejo como aluno da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

 



Milhares de estudantes, entre caloiros e doutores, concentravam-se junto ao Palácio de Cristal, preparando-se para o desfile.
Passavam frente ao Hospital de Santo António com as enfermeiras às janelas acenando.

Seguiam pela Cordoaria e pelos Clérigos, com dezenas de carros alegóricos com estudantes, dentro e fora deles, levando a irreverência até à Baixa do Porto, no tradicional Cortejo da Queima das Fitas.




Os estudantes, as famílias dos estudantes, os amigos e os portuenses curiosos, espalhavam-se, naquele dia pela cidade gerando confusão e movimento de que os principais beneficiários eram os comerciantes em particular e o comércio da cidade do Porto em geral.

Repare-se na multidão pela Rua de 31 de Janeiro acima; o mesmo ocorria na Avenida dos Aliados.

Era um dia de festa para os estudantes e um bom dia para o negócio. O cortejo era o momento alto de ligação entre os estudantes e o Porto.



Nota: "*" Jorge

Adenda: Frequentei o Curso de Medicina nas Universidades do Porto [2 anos] e na de Lisboa [1 ano]. Curso que interrompi, rumando a Moçambique.

Texto: cajoco        Fotos: Album cajoco 






sexta-feira, 27 de abril de 2012

Forte De S. Clemente


O Forte de S. Clemente, foi construido entre 1599 e 1603, no tempo do Rei D. Filipe II, a fim de defender Vila Nova de Milfontes dos perigos vindos do mar: a pirataria e o corso.



Urbano, está implantado na vertente Sul de um pequeno outeiro, a pique sobre o rio Mira.




A sua utilização foi inicialmente   militar e actual como turismo de habitação.




A adaptação a residência e posterior utilização como pousada pode ser considerada como uma iniciativa pioneira no campo do turismo de habitação.




 
Está situado junto ao estuário do rio Mira, na margem direita, a 1,5 Km da barra.



Placa comemorativa dos 400 Anos, colocada [1ª fotografia] no lado direito do portão principal.


cajoco

sábado, 21 de abril de 2012

Centro BUDISTA Tibetano [3]


Revisitamos o Centro Budista Tibetano [HUMKARA DZONG] em Março e tivemos ocasião de confirmar um  estádio de obras mais avançado na construção do Stupa em  relação ao da nossa visita no Verão de 2011 [ver post  [2] de 3 Fev 2012].


Um  painel de boas-vindas com  todos os esclarecimentos necessários. 


Postes alinhados com bandeiras de cores vivas ondulando ao vento encaminham-nos para o Stupa.

À direita está uma pequena e funcional edificação de apoio informativo e  venda de recordações que despertam  o interesse e curiosidade dos devotos e visitantes .


O recinto quadrado já está rodeado por um  gradeamento com espaço para  quatro portas.

O gradeamento simboliza a protecção dos espíritos contra as emoções negativas. Nos quatro cantos os pilares simbolizam os quatro sêlos do ensinamento do Buda.

A construção de um Stupa crê-se que protege a humanidade das forças negativas e traz riqueza, saúde, influência e realização espiritual.

Crê-se ainda que dá harmonia às comunidades circundantes e impede catástrofes naturais através da pacificação das forças ambientais nocivas.



O Stupa é um  relicário para guardar os restos mortais dos grandes mestres. A sua forma representa a iluminação de Buda.



Há sempre pequenas oferendas que os devotos e visitantes  depositam nesta mesinha.


Está previsto que desses quatro pilares até ao cimo do Stupa sairão correntes com  pequenas campaínhas cujo som  se destina a lembrar os 4 selos de Buda.

As quatro portas, segundo fomos informados, virão da India.



Mais além , ao fundo no ponto mais alto,  está a estrutura remanescente do moinho do Malhão [Torre Branca] e outras inslalações do  Centro Budista, onde poderão certamente ser entregues oferendas de maior vulto ou responsabilidade.
.

A singularidade deste espaço e a vista privilegiada que dali se desfruta até ao Oceano Atlântico é avassaladora em toda a sua grandeza onde as montanhas se elevam e a terra é pura. 

cajoco




quinta-feira, 5 de abril de 2012

"Cristo Crucificado"

 


Depois de ter passado por Ourique, rumo ao  Malhão via  Almodôvar, deparei com uma forma de arte original -  um  precioso mural com  um painel de azulejos alusivo à crucificação de Cristo  , estando ainda nele retratados hábitos e costumes do povo alentejano, bem como   espécimes da fauna e flora da região.


É assim, de uma forma inusitada, que a "Freguesia da Aldeia dos Fernandes", do Concelho de Almodôvar, dá as "Boas - Vindas" aos visitantes.


UMA SANTA PÁSCOA

cajoco

segunda-feira, 26 de março de 2012

Lenda de SÃO TORPES

No ano 67 desta nossa Era Cristã, em dia e mês não apurados, Torpes, que era oficial da casa do imperador Nero, foi decapitado em Pisa e o seu corpo lançado ao mar. Cometera o crime de se ter manifestado como adepto do cristianismo.

E a 17 de Maio desse mesmo ano, junto à desembocadura da Ribeira da Junqueira foi encontrada uma cabeça. A cabeça de S. Torpes, tendo a velá-la um cão e um galo. 


Celerina, casada com Lúcio Venôncio, mulher que seria mais tarde santificada, sabedora do aparecimento, viajou imediatamente de Évora, onde vivia, para Sines, a fim de providenciar condigna sepultura ao achado. Para o efeito, no local foi erguido um templo cristão de majestosas dimensões, dizem que o primeiro no género na Europa. Porém seria arrasado em 711, o que significa ter-se aguentado mais de meio milhar de anos.


Entretanto o corpo sem a cabeça de S. Torpes foi dar à costa francesa da Provença, numa praia que mais tarde se chamaria Saint-Tropez. Agora o que é curioso na parte mais real desta lenda é que a actual praia de S. Torpes praticamente confina com uma herdade que se chama da Provença.



[Ponte da Ribeira da Junqueira e o marco implantado no local onde foram encontrados os restos mortais de S. Torpes]. 

Fonte: Excerto de "Lendas de Portugal".



sábado, 17 de março de 2012

O CAMPANÁRIO a CRUZ e o GALO

O Campanário [do Castelhano Campana] é uma construção para proteger e abrigar os sinos.

A Cruz é o símbolo do cristão - ergue-se em todas as nações do mundo.

O Galo cantou 3 vezes anunciando o cumprimento da profecia de Jesus ao ser negada por S. Pedro quando lhe faltava a Fé e o entendimento.
 
[cajoco]




segunda-feira, 12 de março de 2012

O PASTOR

Portugal sofre com a desertificação. As aldeias estão desertas e abandonadas, os rebanhos estão a acabar, o gado já não vai para as serras. É necessário reabilitar-se o mundo rural.

Retomo uma breve viagem à minha adolescência e à vida quotidiana rural do pastor no século passado em Trás-os-Montes.

O gado era guardado por um pastor de Sol a Sol. Botava as ovelhas ao monte em terrenos onde crescia erva apetitosa para que dezenas de ovelhas lhe deitassem o dente. De manhã até à noite sempre ao pé delas e elas sempre atrás dele. Andavam-se assim quilómetros e quilómetros montes abaixo, montes acima. É serviço que nunca está feito, nem de Verão nem de Inverno. Não há pastores gordos. Os pastores gostam da liberdade.

O pastor conhecia todas as suas ovelhas pelos nomes: Zézita, Rouxinol, etc. E fala com elas: "Vais com pressa! Vais! Vais!... E lesto atirava-lhe uma pedrada certeira que caia mesmo à frente da ovelha obrigando-a a arrepiar caminho.


Muitas vezes não sabia muito bem quais os proprietários dos terrenos baldios, mas lá se arranjava.

 

Com bom tempo, o gado dormia ao relento, num bardo de cancelas. Com esta última arrumação do gado, o pastor ficava mais descansado.


Durante a noite dormia ao lado numa simples cabana.


Os cães com coleiras de lata com pregos que lhes protegiam o cachaço dos ataques frequentes dos lobos, completavam a guarda.


O pastor não dispensava a sua flauta, o instrumento mais antigo do mundo,
feita de cana brava ou de sabugueiro com um furo de sopro e seis perfurações, feitas a fogo, para os dedos.


Os pastores consciencializaram-se de que os lobos são medrosos e enfrentam a situação. O lobo uiva para demarcar o território, mas é cobarde. Ataca os animais mas não os homens. Há apenas que ter capacidade para lhes fazer frente.


Bastava o pastor gritar: «Agarra que é lobo desgraçado e malvado!». Os cães começavam a ladrar e os lobos fugiam. As ovelhas não estavam sozinhas. O pastor assobiava e as ovelhas vinham atrás dele. O céu era testemunha.


O bardo era mudado com frequência, para o gado estrumar bem toda a terra.


O gado era dado de meias pelo propritário ao pastor. Metade da produção para cada um.


O pastor  desdobrava-se e dava conta de dezenas de ovelhas que ordenhava à mão, beneficiando do leite dia sim, dia não.


Um cântaro de leite dava para fazer três queijos e ainda requeijões, aproveitando-se também a parte aquosa, o soro.


Os queijos eram feitos numa froncela, para o máximo de dois.


O leite depois de coalhado era espremido nos aros perfurados, escorrendo o soro da froncela para uma bacia. Os queijos eram postos a secar nos aros, em tábuas penduradas no tecto. Depois de secos, tiravam-se os aros e envolviam-se com uma gaze para não esboroarem. Mais tarde eram corados, mergulhando-os numa vasilha com colorau e azeite.


Os requeijões eram feitos do soro numa caldeira pendurada num gancho na lareira, sobre lenha a arder que não deitasse fumo, até quase ferver. Iam-se apurando com uma escumadeira para as requeijeiras.


Havia também a lã das ovelhas e dos carneiros, da tosquia feita pelos tosquiadores, normalmente em Maio, caso contrário no Verão não aguentariam o calor.

A lã era cardada em velos, de que eram feitos os célebres cobertores de papa.

Os borregos  eram também vendidos de meias.

[cajoco]


Fotos: Google






sábado, 3 de março de 2012

Polo Museológico Cândido Guerreiro e Condes de Alte

Alte é uma fonte inesgotável de inspiração. Assumida em toda  a sua plenitude por Cândido Guerreiro.

Este espaço museológico, como o nome indica, contem os espólios da Vida e Obra do poeta Cândido Guerreiro,   dos Condes de Alte e da Casa do Povo de Alte.
As fotos no interior são interditas, pelo que só foi possível tirá-las no e do exterior.


Logo à entrada temos um busto de Cândido Guerreiro, personalidade multifacetada: Advogado, dramaturgo e poeta . Foi o primeiro altense a formar-se.

Retratamos num painel exterior do polo este maravilhoso soneto,  em que o poeta manifesta  o  apego pelas suas raízes, fazendo delas  ao mesmo tempo a sua fonte de inspiração.
A sua escrita destaca-se pelo apuro irrepreensível dos seus sonetos.



[O soneto acima referido, figura também no painel de azulejos constante no monumento erigido em honra do poeta no seu "Memorial na Fonte Pequena"].  

Em Alte, existe  também uma escola, com o seu nome, designada por "Escola Profissional Cândido Guerreiro".

Alte, sua terra natal, foi a aldeia musa da sua vida.

Fonte: Google         Fotos: cajoco

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Casa da Cultura Islâmica e Mediterrânica - Exposição Hans Christian Andersen


Falamos de Hans Christian Anderson [1805 - 1875] escritor dinamarquês cuja obra literária é traduzida para centena e meia de línguas e lembramos que a metade da população da terra considera-a parte da sua cultura.


Hans Christian Anderson viveu uma relação com Portugal, revelada no seu livro Uma viagem a Portugal em 1866.

Com o sentido reconhecimento da generosidade que caracterizam Hans Christian Anderson e a sua obra, 19 Artistas Plásticos Portugueses desejaram com alegria, participar na homenagem com ilustrações e quadros.



A generosidade continuou. Juntou-se-lhes um historiador, um filólogo-andersenalista-tradutor, um narrador, uma ceramista, uma joalheira, um gravador e escultor, artesãos, pessoas da música, das letras, do teatro e, naturalmente, o autor e designer, Niels Fisher.


Quadros e esculturas, produzidos por crianças, jovens e adultos anónimos das 39 cidades e localidades onde a exposição esteve patente, no período de 2005 a 2012, sobre os contos de Hans Christiam Anderson.




 Com ou sem pós de perlimpim a luz de Andersen nunca chega ao fim...



Nota: Esta exposição justificava uma visita guiada atenta e demorada.
Foi no entanto a visita possível, neste caso, com prevalência das fotos prèviamente autorizadas com que a procuramos retratar e divulgar.

Texto: Excerto do Catálogo

Fotos: [cajoco]