...a saudade, às vezes, faz bem ao coração.
Valoriza os sentimentos, acende as esperanças e apaga as distâncias.
Fonte: email recebido
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Porto Colégio / Almeida Garrett [2]
As salas de estudo
Os alunos eram distribuídos por amplas salas de estudo de acordo com o ano que frequentavam.
Cada carteira, para dois lugares ,tinha um tampo e subjacente um espaço para os livros cadernos e material escolar. Ao lado, em baixo, havia um armário com uma prateleira e respectiva porta. Quer o tampo, quer a porta tinham duas argolas para se poderem fechar a aloquete [cadeado]. Estes acessórios de segurança eram por nossa conta.
Era nesta sala, vigiada por um perfeito, que estudávamos e púnhamos em dia os nossos deveres em silêncio, nada de basqueiro. Quando faltava a luz, isso é que gerava grande confusão.l
Por vezes, à socapa, em vez de estudarmos lia-mos revistas de banda desenhada – Gibi, Guri –, e livros de aventuras - principalmente da Colecção Salgari. Esses livros e revistas eram às vezes confiscados pelo prefeito ou pelo director de disciplina – o Ratão – quando aparecia sub-repticiamente na sala de estudo.
O economato
Recorríamos ao economato, duas vezes por semana, para aquisição de livros e artigos de papelaria que necessitássemos. Estes artigos eram fornecidos, mediante requisição prévia, após as aulas, durante as horas de estudo. Por vezes exagerávamos nas aquisições e daí resultava uma conta calada.
Pelo que me toca, uma vez fui chamado à Direcção, que considerou que os meus pedidos tinham excedido o razoável. Os meus pais iriam achar exagerada a despesa. Propuseram que aquela despesa poderia ser distribuída por três meses, desde que me comprometesse a ter mais contenção em despesas futuras. Assim foi acordado e cumprido. Mesmo assim o meu pai achou as contas exageradas.
Os dormitórios
Havia três dormitórios: o dos pequenos, para os do 1º 2º anos, o pavilhão – para os dos 3º,4º e 5º anos e o dos médios e grandes para os do 6º e7º anos. Eu frequentei os dois primeiros.
Todos os dormitórios eram vigiados permanentemente por um prefeito, que dormiam num quarto contíguo com porta para o interior do dormitório. Portanto nada de folestrias para não arranjar alguma estrangeirinha.
O quarto do director de disciplina era contíguo aos dormitórios dos grandes e dos pequenos; com porta de entrada para o átrio de separação dos dois dormitórios e outra porta que dava para o interior do dormitório dos pequenos.
Tomávamos banho duas vezes por semana. Levantávamo-nos às seis horas, seguindo em pijama e chinelos para os balneários, levando cada um a sua toalha de banho, sabonete e roupa interior para mudar – cuecas e camisola interior.
Alguns ficavam na cama a moinar, alegando estarem constipados, com febre, ou outra desculpa qualquer, que nem sempre era aceite pelo perfeito, sendo mesmo obrigados a ir ao banho.
A enfermaria
A enfermaria ficava no 2º piso da ala direita, do edifício, à entrada do Colégio. Tinha cerca de uma dezena de camas.
Quando precisávamos de qualquer curativo, tratamento, recorriamos aos serviços prestados na enfermaria.
Quando qualquer aluno tinha uma doença ou doença infecciosa – sarampo, varicela, etc. – ficava nela internado. Eu, recorri a ela somente para tratamento de um ou outro arranhão. Tínhamos autorização, sempre que fosse possível, para visitar os nossos colegas na enfermaria.
A barbearia
A barbearia situava-se no 2º piso do corpo central do edifício. Funcionava depois das horas de aulas, durante as horas de estudo. Os alunos eram chamados por ordem de inscrição. O barbeiro era muito cuidadoso e educado. Por vezes tomava medidas de profilaxia para a evitar a propagação de parasitas nas nossas cabeças, desinfectando-as e cortando o cabelo mais curto se necessário. Isto chamava logo a atenção dos colegas quando o contemplado regressava à sala de estudo, sendo motivo de gozo à socapa.
Aconteceu-me isso uma vez. Assim que dei conta que o barbeiro estava a cortar-me o cabelo mais curto que o normal, não estive com demasias, levantei-me da cadeira, com o cabelo meio cortado e meio por cortar, regressei à sala de estudo assim mesmo. Aquilo foi motivo de gozo para os outros companheiros, mas não me dei por achado. Passados instantes fui chamado à direcção. Aí, o padre Adão, quis saber a razão do meu abandono prematuro da barbearia. Lá contei a minha história. Ele então disse-me: "Sabes! Tu tinhas umas sementezinhas na cabeça e o barbeiro teve que as eliminar. Agora vais lá voltar para ele acabar de te cortar o cabelo". Um pouco contrariado lá fui mas... com a condição de não mo cortar mais curto.
A rouparia
A rouparia funcionava na cave do corpo central do edifício. Lá estava guardada, em cacifos com o número de cada aluno – o meu era o 134 – a roupa interior de cada um devidamente passada a ferro e dobrada.
Alguns tinham tudo do bom e melhor, desde as camisas de popelina, até aos pijamas de popelina e flanela. Eu e outros transmontanos, limitávamo-nos às camisas e pijamas feitos nas costureiras lá da terra.
O responsável pela rouparia era o bom do Sr. Bento, homem já de meia-idade, alto e de cabelos já brancos puxados para trás com auxílio de brilhantina, como se usava na altura. Tinha toda a paciência do mundo para atender as nossas reclamações, principalmente quando queríamos determinada roupa para vestir aos domingos.
Fazia também maravilhosas bolas de trapos, que vendia por cinco coroas, para jogarmos futebol no recreio, embora fosse proibido, dando, de vez em quando, uns chutos na atmosfera. ou então acertando num vidro que os pais tinham que pagar. Motivo porque muitas vezes essas bolas eram confiscadas pelo prefeito.
Actividades Culturais e Recreativas
Aos sábados, no período da manhã, tinham lugar as actividades recreativas e culturais em que nós os alunos uniformizados com a farda da mocidade portuguesa – de camisa verde com o emblema da Mocidade Portuguesa, calção caqui com cinto de couro e fivela com um S de Salazar – marchávamos, desfilando.
A Mocidade Portuguesa enquadrava a juventude em idade escolar, obrigatoriamente entre os 7 e 14 anos, voluntariamente até à incorporação militar. No âmbito da MP era também organizadas paradas, acampamentos e sessões de ginástica..
Os professores de ginástica: Major Tamegão, Prof. Edgar Tamegão e um Tenente da GNR, cujo nome não me ocorre, coordenavam e dirigiam essas actividades.
No fim íamos para a sala de cinema, ver documentários, – alguns deles de propaganda do Estado Novo - e filmes com o Bucha e o Estica, o Tarzan, os três Tarolas, de Índios e Cowboys, etc.
Havia ainda os espectáculos colectivos, de ginástica, de propaganda do 10 de Junho, Dia de Portugal no Estádio do Lima, que faziam parte da actividade regular da Mocidade Portuguesa. Portugal era o país onde mandava Salazar e as pessoas viviam contentinhas no seu canto.
Saídas aos domingos e feriados
Os alunos internos, que não saíam com os familiares, permaneciam no colégio; os que estavam autorizados pelos pais saíam sòzinhos e os outros em passeios colectivos, acompanhados por um prefeito, passear pela cidade: visitar o Museu Soares dos Reis [único na altura] ou o Palácio de Cristal, uma grande obra de arte que juntava pedra ferro e cristal, daí o nome que lhe foi atribuído.
Em 1950 foi demolido, para dar lugar ao Pavilhão dos Desportos na altura muito criticado e apodado de O Cogumelo. Aí podíamos andar à vontade. Passeávamos, alugávamos bicicletas e barcos no lago – principalmente as gaivotas que nos regalávamos a pedalar.
Alguns, sempre que podiam, aproveitavam também para catrapiscar ou namoriscar.
No verão, aos Domingos, os jardins do Palácio de Cristal eram dos mais frequentados da cidade do Porto. Famílias inteiras passeavam nas suas amplas e arborizadas avenidas.
O cinema
Quando fazia mau tempo, a melhor alternativa era uma sessão de cinema, uma das coisas que mais incentivava na altura a nossa imaginação.
Cada sessão normalmente continha: Noticiário, documentários, desenhos animados e o filme [normalmente depois do primeiro intervalo].
Conseguida a devida autorização lá íamos sempre acompanhados pelo Prefeito ver filmes de aventuras e de capa e espada, na altura muito em voga e apreciados pelos cinéfilos. Os mais crescidos, no entanto, preferiam filmes de Amor e Romance.
Texto: cajoco
Fotos: Google
domingo, 17 de julho de 2011
Porto / Colégio Almeida Garrett [1]
Concluida a Instrução-primária, ainda não tinha completado dez anos, deixei Vilarinho da Castanheira, a fim de me preparar para o exame de admissão aos liceus, como aluno interno no Colégio Almeida Garrett no Porto.
Na Praça Coronel Pacheco há dois portões gémeos, um de cada lado, o da esquerda era do Colégio Almeida Garrett, para rapazes e o da direita do Liceu Carolina Michäelis, para raparigas. Os edifícios das duas instituições eram semelhantes.
Dei entrada no Colégio acompanhado pelo meu pai, sendo recebidos pelo Padre Avelino que promoveu a todas as formalidades necessárias ao processo da minha admissão. Mandou também chamar um aluno – o Farinha – que encarregou de me mostrar as instalações do Colégio.
Adaptei-me facilmente, tendo-me até despedido do meu pai um pouco à pressa preocupado com um colega que tinha acabado de chegar e estava a chorar. Eu e o Farinha lá o fomos confortar.
Em Outubro fiz o exame de admissão, no então liceu D. Manuel l, com a classificação final de 13 valores. Foi a melhor nota dos alunos do colégio. Os meus pais apareceram de surpresa, no corredor do liceu, após o exame. Eu estava feliz, embora com um aspecto esgrouviado e com um enorme nó na gravata.
O Padre Venceslau, «O Ratão» - director de disciplina, ofereceu-me uma corneta em barro como prémio. Eu, radiante, no recreio toquei a corneta alto e bom som. Resultado…«O Ratão» mandou-me chamar, pediu para a guardar até às férias do Natal. Nunca mais lhe pus a vista em cima.
O Colégio Almeida Garrett, com internato e externato, tinha um ideário religioso, imagem de rigor e disciplina conducentes a criar hábitos de estudo e convívio em grupo. Havia horas para tudo. O toque da sineta – a cabra, como lhe chamávamos alertava-nos para o início e o fim das actividades.
Era dirigido por cinco directores: os Padres Guimarães Dias, Adão e Avelino. O Dr. Aguiar e o Eng.º Araújo. Os dois primeiros eram ainda do tempo em que o meu pai frequentou o Colégio.
Os professores eram dos melhores - óptimos. De alguns só retive as alcunhas. Recordo alguns nomes: Manarte, Morgado e Eduardo Pinheiro – Português, Soutinho – Desenhoe Matemática, «o Laberco» – Matemática, Portocarrero – Geografia, Ramôa – Ciências Naturais, «o Bacalhau» e o «Chation» – Francês, etc.
Ainda me recordo das primeiras frases, que o professor de Francês escreveu no quadro: Noblesse oblige e Heurreur à la paresse. E do professor de Inglês: Struggle for life...
Não tenho memória de no Colégio haver indisciplina nas aulas ou fora delas.
Não éramos santos. Havia copianços e algumas faltas às aulas, os professores tinham as suas alcunhas, mas tudo se resumia a isso mesmo. Num momento de maior barulho na aula, uma observação ou franzir de sobrolho do professor bastava para que voltasse o silêncio.
Quando algum aluno pisava o risco era convidado, pelo professor a sair da sala de aula [neste aspecto, retenho uma frase do professor de Inglês: "mé filho fecha a porta por fora..."; depois o Director de Disciplina resolvia o assunto com um castigo adequado. Normalmente, o aluno prevaricador, ficava impedido de ir para o recreio ou em casos mais graves impedido de sair aos domingos, quer na companhia dos prefeitos ou da família.
Fora das aulas os alunos eram acompanhados em permanência pelos prefeitos - nas salas de estudo, no refeitório, nos recreios, na capela, nos dormitórios, etc. Recordo o Taveira [muito severo] e o Sampaio e Melo - os nomes mais sonantes.
O Taveira e o Sampaio eram professores na Escola Primária do Colégio, cujo edifício ficava afastado dos pavilhões principais, ao fundo das áreas dos recreios, junto ao enorme quintal do Colégio.
A actividade diária começava às 6h30 com o toque da cabra, levantávamo-nos, lavávamo-nos, vestiamo-nos e seguiamos em forma dois a dois para a capela rezar. Daqui para a sala de estudo até às 8h15, donde seguíamos sempre em forma para o refeitório a fim de tomarmos o pequeno-almoço, seguindo-se o recreio, onde jogávamos à bola ao berlinde e aos polícias e ladrões.
Às 8h50 a incansável cabra dava por terminado o recreio, para irmos à sala de estudo buscar os livros e cadernos necessários para assistirmos às aulas que começavam às 9h00 prolongando-se até ao meio-dia, com dois intervalos de permeio.
Findo este período de aulas, seguíamos para os respectivos dormitórios, para nos arranjarmos para o almoço, indo, sempre em forma.
Durante o almoço, mantinhamo-nos em silêncio até acabarmos de comer a sopa. Então, o silêncio era interrompido pelo prefeito que em voz alta dizia: «Podem falar». Então podíamos falar à vontade até ao fim da refeição. No fim seguia-se o recreio, daqui para a sala de estudo e para as aulas que começavam às duas e terminavam às cinco.
Novamente lanche, recreio, salas de estudo, dormitórios, jantar, recreio, salas de estudo, capela, e dormitórios, terminando o dia às 21h30. Era esta a rotina diária no colégio.
Actividades físicas e religiosas
Tínhamos várias actividades de Educação Física duas vezes por semana. Podiam ser exercícios ao ar livre, no espaço dos recreios, ou ginástica aplicada no ginásio com aparelhos: exercício nos espaldares, saltos de plinto com trampolim, subir as escadas de corda e as cordas até ao tecto e ainda os exercícios em argolas.
Por vezes, aos sábados, realizavam-se Saraus de Ginástica Aplicada em que se exibiam os melhores alunos na disciplina e o próprio Prof. Edgar Tamegão, que fechava sempre a exibição de cada exercício, precedido pelo Monterroso, Madureira e Salazar, que eram os melhores alunos em aparelhos e nos saltos em trampolim.
Havia também o Orfeão do Colégio, de que fazia parte, dirigido pelo Professor Tino, com o seu inseparável lamiré, com que assinalava o começo de qualquer canção.ou composição musical. Usava sapatos com polainitos, muito em voga naquela época.
Aos Domingos e Feriados religiosos, na parte da manhã. Assistíamos à missa na Capela do Colégio. Umas vezes celebrada pelo Padre Adão, outras pelo Padre Avelino. O sacristão era o José da Rocha Macedo, ex-seminarista, meu amigo e colega de turma.
Texto. Cajoco
Imagens Google
segunda-feira, 4 de julho de 2011
O cavalo cego - para reflectir
O CAVALO CEGO
"Aprendi que o jeito mais fácil de crescer como pessoa é cercar-me de pessoas melhores que eu".
OS DOIS CAVALOS
Na estrada da minha casa há um pasto. Dois cavalos vivem lá.
De longe parecem cavalos como os outros, mas, quando se olha bem, percebe-se que um deles é cego.
Contudo o dono não se desfez dele e arrumou-lhe um amigo - um cavalo mais jovem. Isso já é para se admirar.
Se você ficar atento ouvirá um sino.
Procurando de onde vem o som, você verá que há um sino no pescoço do cavalo menor.
Assim, o cavalo cego sabe onde está o seu companheiro e vai até ele.
Ambos passam o dia comendo e no final do dia o cavalo cego segue o companheiro até ao estábulo.
E você percebe que o cavalo com o sino está sempre olhando se o outro o acompanha e, às vezes, pára para que o outro possa alcançá-lo.
E o cavalo cego guia-se pelo som do sino, confiante que o outro o está levando pelo caminho certo.
Como o dono desses dois cavalos, Deus não se desfaz de nós só porque não somos perfeitos, ou porque temos problemas ou desafios.
Ele cuida de nós e faz com que outras pessoas venham em nosso auxílio quando precisamos.
Algumas vezes somos o cavalo cego guiado pelo som do sino daqueles que Deus coloca em nossas vidas.
Outras vezes, somos o cavalo que guia ajudando outro a encontrar o seu caminho.
E assim são os bons amigos.
Você não precisa de vê-los, mas eles estão lá.
Por favor, ouça o meu sino.
Eu também ouvirei o seu.
Viva de maneira simples,
Ame generosamente,
Cuide com devoção,
Fale com bondade...
Pense antes de agir para se não arrepender.
e CREIA,
deixando o resto para
DEUS.
Autor desconhecido
Fonte: e-mail recebido
Imagem Google
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Este Senhor é que sabia
" Depois de algum tempo aprendemos a diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.
Aprendemos que amar não significa apoiar-nos e que companhia nem sempre significa segurança.
Aprendemos que beijos não são promessas.
E começamos a aceitar as derrotas com a cabeça erguida.
Aprendemos a construir a nossa estrada no hoje, porque o amanhã é incerto...
Depois de algum tempo aprendemos que o sol queima se ficarmos expostos por muito tempo.
E aprendemos que não importa o quanto nós nos importamos, algumas pessoas simplesmente não se importam...
E aprendemos que não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai ferir-nos de vez em quando e precisamos perdoá-la por isso.
Aprendemos que falar pode aliviar as nossas dores emocionais.
Descobrimos que levamos anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que podemos fazer coisas num instante, das quais nos podemos arrepender o resto da vida.
Aprendemos que as verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E O QUE IMPORTA NÃO É O QUE TEMOS NA VIDA, MAS QUEM TEMOS NA VIDA.
E os amigos são a família que nos permitiram escolher. Percebemos que as pessoas que mais amamos na vida são levadas de nós muito depressa, por isso devemos deixá-las sempre com palavras de afecto, porque pode ser a última vez que as vemos.
Descobrimos que levamos muito tempo para nos tornarmos na pessoa que queremos ser, mas que o tempo é curto.
Aprendemos que não importa onde já chegámos, mas para onde vamos, e se soubermos isso, qualquer lugar serve.
Aprendemos que, ou controlamos as nossas acções ou elas acabam a controlar-nos.
E que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, porque em todas as situações existem sempre dois lados.
Aprendemos que paciência requer muita prática.
Descobrimos que algumas vezes as pessoas de que menos esperamos são aquelas que nos estendem a mão e ajudam a levantar quando caímos.
Descobrimos que só porque alguém não nos ama da forma que nós gostaríamos, isso não significa que esse alguém não nos ame com tudo o que pode.
Aprendemos que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes temos que perdoar-nos a nós próprios.
Aprendemos que não importa em quantos pedaços o nosso coração foi partido, o mundo não pára para que o possamos consertar.
Aprendemos que o tempo não é algo que possa voltar para trás.
Aprendemos que somos realmente fortes.
E que a vida tem muito valor e que nós temos muito valor perante a vida!"
William Shakespeare
Imagem Google
domingo, 12 de junho de 2011
Portugal é capaz
Portugal é capaz
A NAVIGATOR é lider mundial no segmento de papel fino para escritório.
O pinhão português está a ter uma grande aceitação, devido à sua elevada qualidade, e a CECÍLIO SA aumentou a produção em 60%.
O olival de regadio e azeite extra-virgem, plantado em FERREIRA do ALENTEJO por um português regressado a Portugal, às terras de família, já foi considerado o melhor do mundo em concurso internacional e já foi apodado de petróleo verde.
Tomate ribatejano abastece o Mundo. Mais de 90% da produção é exportada. Cento e cinquenta milhões de euros é quanto factura a indústria ligada ao tomate.
Nós somos capazes
Todos nós, e cada um em seu nível, poderemos contribuir positivamente.
Não deixe ficar mal este maravilhoso país, à beira mar plantado, conforme bem pode ver na fotografia de satélite, acima.
E a nossa História escreve-se em várias ocasiões com maiúscula.
E-mail recebido [adaptado]
terça-feira, 7 de junho de 2011
sexta-feira, 27 de maio de 2011
PORTUGAL VALE A PENA !!!
Vamos animar, amigos/as.
Eu conheço um país que...
. em 30 anos passou de uma das piores taxas de mortalidade infantil para a quarta a nível mundial [80 por mil - 3 por mil],
. em 8 anos construiu o mais importante registo europeu de medula óssea, indispensável ao combate de doenças leucémicas.
Eu conheço um país que...
. é lider mundial no transplante de fígado,
.está em segundo lugar no transplante de rins.
. é lider mundial na aplicação de implantes imediatos e próteses dentárias fixas para desdentados totais.
Eu conheço um país que...
. tem uma empresa que desenvolve software para eliminação do papel, enquanto suporte de registo clínico nos hospitais [Alert]
. tem uma das maiores empresas ibéricas na informatização das farmácias [Glint]
. inventou o primeiro anti epilético de raíz portuguesa [Bial].
Eu conheço um país que...
.é lider mundial no sector da energia renovável
. é o quarto produtor de energia eólica do mundo
. está a construir o maior plano de barragens [dez] a nível europeu [EDP].
Eu conheço um país que...
. inventou e desenvolveu o primeiro sistema mundial de pagamentos pré-pagos para telemoveis [PT].
. é lider mundial em software de de identificação [N Drive],
. tem uma empresa que corrige e detecta as falhas de sistema informático da NASA [Critical]
.tem a melhor incubadora de empresas de mundo [Instituto Pedro Nunes da Universidade de Coimbra]
Eu conheço um país que...
. calça cem milhões de pessoas em todo o mundo e produz o segundo calçado mais caro a nível planetário, logo a seguir ao italiano.
. fabrica lençois inovadores, com diferentes odores e propriedades anti-germes, onde dormem, por exemplo 30 milhões de americanos,
Eu conheço um país que...
. é o state of art nos moldes de plástico
. é lider mundial de tecnologia de transformadores de energia [Efacec]
. revolucionou o conceito de papel higiénico [Renova]
Eu conheço um país que...
. tem um dos melhores sistemas multibanco a nível mundial
. desenvolveu um sistema inovador de pagamento nas portagens das auto-estradas [Via Verde].
Eu conheço um país que...
. revolucionou o sector de distribuição
. ganha prémios pela construção de centros comerciais noutros países [Sonae Sierra]
. lidera destacadíssimo o sector de hard discount na Polónia [Jerónimo Martins].
Eu conheço um país que...
. fabrica fatos de banho que pulverizaram recordes nos Jogos Olímpicos de Pequim
. vestiu dez das selecções olímpicas que estiveram nesses Jogos
. é o maior produtor mundial de caiaques para desporto
. tem uma das melhores selecções de futebol do mundo.
. o melhor treinador do planeta [José Mourinho]
e um dos melhores jogadores [Cristiano Ronaldo]
Eu conheço um país que...
. tem um Prémio Nobel da Literatura [José Saramago]
.tem uma das mais notáveis intérpretes de Mozart [Maria João Pires]
. tem pintores e escultores reconhecidos internacionalmente [Paula Rego, Júlio Pomar, Maria Helena Vieira da Silva, João Cutileiro]
. tem dois prémios Pritzker de arquitectura [Sisa Vieira e Souto Moura]
Este país é Portugal
Tem o que está escrito acima, mais um sol maravilhoso, uma luz deslumbrante, praias fabulosas, ótima gastronomia.
Bem-vindo a este país chamado PORTUGAL
Texto: Nicolau Santos
Imagens da Internet
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Dr. Belarmino [3]
O Luis Eduardo [Zito], até à idade de um ano, foi sempre muito fraquinho e doentinho. Tinha muitas maleitas, pôs-se um chicharro, era alimentado com leite de cabra.
Uma mulherzinha foi vê-lo e comentou: «Eu também tive assim um filho, coitadinho.» «Que lhe aconteceu?», perguntou D. Lurdes. «Morreu», foi a resposta.
A criada Teresa, passava noites em claro a cantar com ele ao colo. A canção favorita era: «Agora é que eu me maneio nos braços do meu amor!» Mal se calava, ele desatava logo a berrar. Não deixava ninguém pregar olho. Tenho uma ideia do vai e vem da Teresa com ele ao colo na sala. O Zito custou muito a melhorar.
O Dr. Belarmino, entre outras medidas, comprou uma vaca leiteira, que ficou nas Olgas onde tinha pasto abundante. O leite da vaca contribuiu para ele arribar e pôr-se um pimpolho muito lindo. Muitas das vezes era o Dr. Belarmino quem trazia o leite das Olgas.
Recordo-me que a vaca teve ainda um bezerrinho, que aturou as minhas brincadeiras. Cheguei a montá-lo e a malhar dele para baixo, no lameiro das Olgas.
Uma mulherzinha foi vê-lo e comentou: «Eu também tive assim um filho, coitadinho.» «Que lhe aconteceu?», perguntou D. Lurdes. «Morreu», foi a resposta.
A criada Teresa, passava noites em claro a cantar com ele ao colo. A canção favorita era: «Agora é que eu me maneio nos braços do meu amor!» Mal se calava, ele desatava logo a berrar. Não deixava ninguém pregar olho. Tenho uma ideia do vai e vem da Teresa com ele ao colo na sala. O Zito custou muito a melhorar.
O Dr. Belarmino, entre outras medidas, comprou uma vaca leiteira, que ficou nas Olgas onde tinha pasto abundante. O leite da vaca contribuiu para ele arribar e pôr-se um pimpolho muito lindo. Muitas das vezes era o Dr. Belarmino quem trazia o leite das Olgas.
Recordo-me que a vaca teve ainda um bezerrinho, que aturou as minhas brincadeiras. Cheguei a montá-lo e a malhar dele para baixo, no lameiro das Olgas.
A certa altura, o Dr. Belarmino mudou-se com a família para uma moradia situada a pequena distância da capela de S. Sebastião, no extremo sudeste da aldeia.
Casa antiga, com grades três das janelas dos quatro quartos, três salas e uma cozinha com piso em lajes de granito, com saídas para a cortinha e para o quinteiro.
Tinha no interior uma mina de água, com uma porta em ferro, anexa á cozinha [onde no Verão o Dr. Belarmino punha água e a pinga do tinto a refrigerar - era uma autêntica geleira], por baixo uma adega e duas lojas.
Atrás um quinteiro, com um palheiro e loja para o cavalo ao fundo.
À frente uma enorme cortinha com três meroças e outra mina de água a meio na segunda meroça. Havia duas árvores de fruto de grande porte, uma cerejeira e uma nogueira; abrunheiros, ameixieiras, macieiras, marmeleiros, e videiras ao longo da parte interior dos muros de suporte das meroças, espaços mais que suficientes para eu o meu mano espairecermos com os amigos; armando esparrelas aos pássaros, subindo às árvores à procura de ninhos, ou ainda colhendo frutos, no tempo deles. As cerejas e os pintassilgos doirados eram preferidos.
Ir à missa aos domingos e visitar-nos era para o avô Luís um acto solene. Vestia a preceito o seu fato e capa preta com abas de cetim, chapéu e duas bengalas que os seus já noventa anos não dispensavam, conforme a foto documenta. Eu, compenetrado e perfilado ao lado da minha tia e madrinha [hoje com 99 aninhos], o meu mano recostado de bibe ao lado de um amigo.
O dono desta moradia, um emigrante de apelido Santos, residia no Brasil. Cedeu esta casa gratuitamente ao Dr. Belarmino. Era a única moradia em Vilarinho com sanita em loiça. Não havia água canalizada.
O Cano era um fontanário, com quatro torneiras, onde a população, aguardando vez, se abastecia de água, que as mulheres levavam à cabeça, com uma rodilha de protecção – a sogra –, em cântaros ou canecos para casa.
As bestas também transportavam em engarelas quatro cântaros de água.
O tanque das burras [onde estas bebiam], antecedia esse fontanário, ficando separado por um muro, com escadas de acesso nos extremos.
Conta-se que quando o Santos veio a Portugal com a esposa brasileira, esta, como não havia retrete, tinha que fazer as necessidades no quinteiro, onde o porco, à sua volta, não a largava. Aflita gritava alto pelo marido: «Santos…! Santos…! Reco papa a minha bunda…!». Então o Santos, para sua tranquilidade e comodidade da esposa, mandou fazer uma casa de banho com sanita ligada a uma fossa construída no quinteiro, – um luxo na altura.
O Dr. Belarmino mandou substituir os soalhos das salas de entrada e de jantar. As madeiras provieram dos pinheiros das Olgas [sua propriedade raínha], serradas pelo Pressas-serrador. O carpinteiro encarregado de fazer o trabalho foi o António Vieira mais conhecido pelo Fala-barato. O homem gostava mesmo de falar, era boa pessoa e simpático. O filho – Belarmino também de nome – foi meu colega na escola primária. Tinha também uma filha chamada Mabélia. Não primavam pela inteligência, para desgosto do pai..
O Dr. Belarmino mandou substituir os soalhos das salas de entrada e de jantar. As madeiras provieram dos pinheiros das Olgas [sua propriedade raínha], serradas pelo Pressas-serrador. O carpinteiro encarregado de fazer o trabalho foi o António Vieira mais conhecido pelo Fala-barato. O homem gostava mesmo de falar, era boa pessoa e simpático. O filho – Belarmino também de nome – foi meu colega na escola primária. Tinha também uma filha chamada Mabélia. Não primavam pela inteligência, para desgosto do pai..
Ao fundo da cortinha existe ainda um muro desproporcionadamente alto, mandado construir pelo primitivo dono, no princípio do século XX, para impedir a vista de cenas escandalosas, visíveis do exterior, protagonizadas pelas banidas – refugiadas oriundas da Europa Central. O muro ficou conhecido pelo muro das banidas.
Um dos quartos foi adaptado para o consultório do Dr. Belarmino. Finalmente, o Dr. Belarmino tinha o seu consultório. Ficava contíguo ao quarto do casal. Garantindo assim assistência médica praticamente permanente. Durante a noite bastava baterem no vidro da janela do quarto [a porta de acesso à cortinha ficava sempre só no trinco] alertarem o médico e serem de seguida atendidos.
Um dos quartos foi adaptado para o consultório do Dr. Belarmino. Finalmente, o Dr. Belarmino tinha o seu consultório. Ficava contíguo ao quarto do casal. Garantindo assim assistência médica praticamente permanente. Durante a noite bastava baterem no vidro da janela do quarto [a porta de acesso à cortinha ficava sempre só no trinco] alertarem o médico e serem de seguida atendidos.
Os doentes iam ao médico quando já não suportavam o sofrimento, embrulhados na sua dor e na sua amargura.
Naquele tempo, era difícil o exercício da medicina. Faltava de tudo um pouco: medicamentos, anestésicos, desinfectantes, etc. A situação em Vilarinho, face ao seu afastamento na terra fria transmontana, era duma carência extrema.
O Dr. Belarmino enfrentava com meios improvisados as situações de emergência mais dramáticas. O fim, era deixar o doente o melhor possível.
As constipações e gripes eram tratadas com «papadas de linhaça e pó de mostarda» em água quente. As papas eram despejadas em cima dum pedaço de lençol, com gaze por cima. A papada dava a volta ao peito e às costas, aconchegada por qualquer outra coisa.
Houve que extrair unhas encravadas e infectadas com deficiente anestesia. Lancetar, com o bisturi, abcessos deixando uma mecha de drenagem. Queimar carbúnculos com chave de fendas aquecida ao rubro na máquina a petróleo. [Só mais tarde é que pôde ser utilizado o termocautério]. Tratar fracturas a olho clínico, com talas e ligaduras. Mirandela, a cerca de 30 km, era a localidade mais próxima onde era possível tirar radiografias.
Era o tempo em que se pincelavam as amígdalas com iodo e da pomada de colargol, manipulada em Carrazeda pelo farmacêutico Raínha.
Houve que extrair unhas encravadas e infectadas com deficiente anestesia. Lancetar, com o bisturi, abcessos deixando uma mecha de drenagem. Queimar carbúnculos com chave de fendas aquecida ao rubro na máquina a petróleo. [Só mais tarde é que pôde ser utilizado o termocautério]. Tratar fracturas a olho clínico, com talas e ligaduras. Mirandela, a cerca de 30 km, era a localidade mais próxima onde era possível tirar radiografias.
Era o tempo em que se pincelavam as amígdalas com iodo e da pomada de colargol, manipulada em Carrazeda pelo farmacêutico Raínha.
Medicamentos injectáveis eram aplicados com seringas de vidro e agulhas reutilizáveis, esterelizadas em
àgua fervente e transportadas em caixas metálicas. A maioria eram aplicadas nas nádegas.
Nas zonas rurais existia uma maior proximidade entre o médico e o doente. Essas relações tinham aspectos positivos e negativos. Iam muitas vezes para além do aspecto clínico. O médico tinha que ser duro para as pessoas que abusavam da sua paciência.
àgua fervente e transportadas em caixas metálicas. A maioria eram aplicadas nas nádegas.
Nas zonas rurais existia uma maior proximidade entre o médico e o doente. Essas relações tinham aspectos positivos e negativos. Iam muitas vezes para além do aspecto clínico. O médico tinha que ser duro para as pessoas que abusavam da sua paciência.
São muitas as recordações de casos insólitos que ocorreram no consultório do Dr. Belarmino, recordo alguns:
Uma mulher do Pinhal do Douro andava metida com um homem casado. A mulher sabia, e, quando encontrou com a rival, dirigiu-se como que para a beijar e de papo feito mordeu-a num beiço. A outra não esteve com meias medidas, pagou-se na mesma moeda, mordendo-a também num beiço, ficando as duas a sangrar. Concluindo, morderam-se nos beiços.
Uma mulher do Pinhal do Douro andava metida com um homem casado. A mulher sabia, e, quando encontrou com a rival, dirigiu-se como que para a beijar e de papo feito mordeu-a num beiço. A outra não esteve com meias medidas, pagou-se na mesma moeda, mordendo-a também num beiço, ficando as duas a sangrar. Concluindo, morderam-se nos beiços.
A casada, com o marido, pôs-se a caminho e foi a Vilarinho tratar-se no consultório do Dr. Belarmino. Passados uns instantes apareceu a outra acompanhada de um familiar, cruzando-se as duas no consultório. Esta tragicomédia fez rir a bom rir o Dr. Belarmino.
Um homem, na taberna do Daniel Duque, apostou em como conseguia comer um trigo inteiro duma só vez. Resultado, forçou tanto os queixos, que desconjuntou o maxilar inferior. Aflito correu para casa do Dr.Belarmino. Este meteu-lhe dois dedos na boca e, em dois tempos, articulou o maxilar para alívio do alarve que lhe ficou muito agradecido. Viu-se livre daquela e, com certeza, ficou sem vontade de se meter noutra.
Uma mulherzinha levantou a filha por um braço e sem querer desconjuntou-lho. Correu também aflita ao médico. Este lá conseguiu repor as articulaçõezitas da criança no seu devido lugar. A mulherzinha aliviada agradeceu.
As feiras eram muito concorridas e as tabernas também. Havia muitas rixas. Era raro o dia de feira em que não apareciam, no consultório do Dr. Belarmino, metoitas rachadas, vulgo esmicholados – por apedrejamento ou à paulada.
Um homem, na taberna do Daniel Duque, apostou em como conseguia comer um trigo inteiro duma só vez. Resultado, forçou tanto os queixos, que desconjuntou o maxilar inferior. Aflito correu para casa do Dr.Belarmino. Este meteu-lhe dois dedos na boca e, em dois tempos, articulou o maxilar para alívio do alarve que lhe ficou muito agradecido. Viu-se livre daquela e, com certeza, ficou sem vontade de se meter noutra.
Uma mulherzinha levantou a filha por um braço e sem querer desconjuntou-lho. Correu também aflita ao médico. Este lá conseguiu repor as articulaçõezitas da criança no seu devido lugar. A mulherzinha aliviada agradeceu.
As feiras eram muito concorridas e as tabernas também. Havia muitas rixas. Era raro o dia de feira em que não apareciam, no consultório do Dr. Belarmino, metoitas rachadas, vulgo esmicholados – por apedrejamento ou à paulada.
Os golpes eram desinfectados, tratados e suturados com agrafos – ganchos que uniam os lábios das feridas.
A maioria dos pacientes, passada uma semana, já estava em condições de se tirarem os agrafos e prontos para outra, não obstante das recomendações do Dr. Belarmino
Lembro-me ainda da operação a um potro, que saltou por cima de uma cancela de madeira, que dava acesso a um prédio situado nas traseiras da Capela de São Sebastião, rasgando o soventre. O potro foi transportado para o palheiro que ficava no quinteiro. Aí o Dr. Belarmino fez de cirurgião/veterinário, com numerosa audiência um pouco à distância, operou-o e coseu-o, ficando o potro como novo.
sábado, 30 de abril de 2011
Dr. Belarmino [2]
O Dr. Belarmino considerava que a fragilidade da esposa não se coadunava com esforços necessários à lida da casa, pelo que quando a via envolvida nessa actividade, observava-lhe: «Que disparate! Quem te mandou fazer isso!? Tu sabes bem que não podes!? Considerava ainda que a esposa não tinha a obrigação de se levantar cedo. Não consentia que a incomodassem enquanto descansava ou dormia.
Em casa do Dr. Belarmino nunca faltava nada, mas não havia saldo para grandes extravagâncias.
Para os seus alfinetes, a D. Lurdes vendia particularmente: azeite, trigo, centeio, milho, etc.
Era o tempo em que todas as fotografias de família eram a preto e branco.
A porta da loja do cavalo, para além da sua função normal [acesso à loja do Galiza], tapada parcialmente com uma manta, servia de fundo para o retratista tirar retratos de família à la minuta.
A Favelina vivia connosco, era o braço direito da minha mãe, estava sempre à mão.
Era ainda parenta do avô Luís Cordeiro – a mãe dela chamava-lhe Tio Luís. Cuidava das coisas da casa, fazia pequenos trabalhos de modista e para além disso fazia as minhas roupas. Ajudou a criar-me. Gostava
muito de mim. Era uma pessoa de família.
Emigrou para o Brasil. O Dr. Belarmino, em reconhecimento dos serviços prestados, deu-lhe o dinheiro necessário para a passagem e deslocou-se ao Porto para tratar pessoalmente da papelada necessária.
O irmão tinha prometido arranjar-lhe lá trabalho como modista. Foi, no entanto, tratar dos filhos dele. Mais tarde casou com um sapateiro. Não foi muito feliz. Ainda escreveu algumas vezes à D. Lurdes, minha mãe. Faleceu ainda nova. Deixou boas recordações e muita saudade. Foi considerada insubstituível.
A Renaldina, uma rapariga vizinha da minha avó paterna, sucedeu à Favelina.
Entretanto aproximava-se o nascimento do meu irmão.
A meio da manhã dum frio dia 12 de Dezembro, a D. Lurdes começou a sentir as dores. Chegou o trabalho de parto activo. Mandou a Favelina comprar uma galinha e ir chamar o Dr. Belarmino à Casa do Povo.
O Dr. Belarmino, meu pai, veio logo e tratou dos preparativos para o parto que, por causa do frio de rachar, se realizou em cima dum colchão na cozinha ao calor da lareira. O parto dificultado pelo tardio rebentamento das águas correu bem, graças à aptidão do Dr. Belarmino, que se abstraiu da condição de pai assumindo com profissionalismo e competência a de médico.
Assim nasceu, na intimidade do lar, o meu irmão Luís Eduardo, trinta e sete meses e nove dias depois de mim.
Seguidamente, o meu irmão e a minha mãe – levada ao colo pelo meu pai – foram acomodados num quarto, onde ficaram mais confortáveis, não faltando a braseira para aquecimento do quarto.
Mal me apercebi do acontecimento, corri para casa dos avós paternos, dando a boa nova a quem encontrava no caminho. Ao chegar, avistei a minha avó Olívia na varanda da cozinha, onde nas horas vagas estava sentada a pontear a roupa, exclamei: «Avòzinha, já lá temos um menino de Paris!». A avó Olívia pôs o xaile nos ombros e lá foi comigo apressada ver o neto.
Levou uma manta vermelha feita em Urros [manta de lã de ovelha tecida em teares manuais, que nas duas fotos serve de pano de fundo tapando à porta da loja do cavalo], uns metros de flanela para o enxoval comprada no soto e um pouco de unto que, segundo uso na terra, fazia bem às parturientes.
A primeira coisa que a avó fez quando chegou foi mandar tirar a braseira do quarto, para o bebé e a mãe não correrem riscos.
O Dr. Belarmino, pôs o unto de parte e mandou dar à D. Lurdes uma canja dum frango gordo oferecido pela irmã da Favelina.
A avó, com sentido de humor, comentava que o Luizinho tinha vindo com os feirantes, visto dia 12 ser dia de feira em Vilarinho.
No dia do nascimento, o Heitor filho da vizinha Sra. Otília Lousão, dirigiu-se à mãe nestes termos: «Mãe! O Sr. Doutor já lá tem um raparigo, parece que não é de agora, ele berra tanto!»
A Sra. Otília foi ver o raparigo e levou uma pita.
Nos intervalos das substituições das criadas, a Sra. Otília disponibilizava as filhas Alzira e Celeste para ajudarem a D. Lurdes.
Foi um acontecimento logo divulgado por todo o Vilarinho. Naquele dia e seguintes houve um corrupio de visitas lá em casa, designadamente pessoas da aldeia, que levavam uma pita, como oferta, de acordo com a tradição.
Subscrever:
Mensagens (Atom)













