Porto de Sines

Porto de Sines

domingo, 12 de junho de 2011

Portugal é capaz


Portugal é capaz


A NAVIGATOR é lider mundial no segmento de papel fino para escritório.

O pinhão português está a ter uma grande aceitação, devido à sua elevada qualidade, e a CECÍLIO SA  aumentou a produção em 60%.

O olival de regadio e azeite extra-virgem, plantado em FERREIRA do ALENTEJO por um português regressado a Portugal, às terras de família, já foi considerado o melhor do mundo em concurso internacional e já foi apodado de petróleo verde.

Tomate ribatejano abastece o Mundo. Mais de 90% da produção é exportada. Cento e cinquenta milhões de euros é quanto factura a indústria ligada ao tomate.


Nós somos capazes


Todos nós, e cada um em seu nível, poderemos contribuir positivamente.

Não deixe ficar mal este maravilhoso país, à beira mar plantado, conforme bem pode ver na fotografia de satélite,   acima.

E a nossa História escreve-se em várias ocasiões com maiúscula.


E-mail recebido [adaptado]

sexta-feira, 27 de maio de 2011

PORTUGAL VALE A PENA !!!


Vamos animar, amigos/as.


Eu conheço um país que...

. em 30 anos passou de uma das piores taxas de mortalidade infantil  para a quarta a nível mundial  [80 por mil - 3 por mil],

. em 8 anos construiu o mais importante registo europeu de medula óssea, indispensável ao combate de doenças leucémicas.


Eu conheço um país que...

. é lider mundial no transplante de fígado,

.está em segundo lugar no transplante de rins.

. é lider mundial na aplicação de implantes imediatos e próteses dentárias fixas para desdentados totais.


Eu conheço um país que...

. tem uma empresa que desenvolve software para eliminação do papel, enquanto suporte de registo clínico nos hospitais [Alert]

. tem uma das maiores empresas ibéricas na informatização das farmácias [Glint]

. inventou o primeiro anti epilético de raíz portuguesa [Bial].


Eu conheço um país que...

.é lider mundial no sector da energia renovável

. é o quarto produtor de energia eólica do mundo

. está a construir o maior plano de barragens  [dez] a nível europeu [EDP].


Eu conheço um país que...

. inventou e desenvolveu o primeiro sistema mundial de pagamentos pré-pagos para telemoveis [PT].

. é lider mundial em software de de identificação [N Drive],

. tem uma empresa que corrige e detecta as falhas de sistema informático da NASA [Critical]

.tem a melhor incubadora de empresas de mundo [Instituto Pedro Nunes da Universidade de Coimbra]


Eu conheço um país que...

. calça cem milhões de pessoas em todo o mundo e produz o segundo calçado mais caro a nível planetário, logo a seguir ao italiano.

. fabrica lençois inovadores, com diferentes odores e propriedades anti-germes, onde dormem, por exemplo 30 milhões de americanos,


Eu conheço um país que...

. é o  state of art nos moldes de plástico

. é lider mundial de tecnologia de transformadores de energia [Efacec]

. revolucionou o conceito de papel higiénico [Renova]


Eu conheço um país que...

. tem um dos melhores sistemas multibanco a nível mundial

. desenvolveu um sistema inovador de pagamento nas portagens das auto-estradas [Via Verde].


Eu conheço um país que...

. revolucionou o sector de distribuição

. ganha prémios pela construção de centros comerciais noutros países [Sonae Sierra]

. lidera destacadíssimo o sector de hard discount na Polónia [Jerónimo Martins].


Eu conheço um país que...

. fabrica fatos de banho que pulverizaram recordes nos Jogos Olímpicos de Pequim

. vestiu dez das selecções olímpicas que estiveram nesses Jogos

. é o maior produtor mundial de caiaques para desporto

. tem uma das melhores selecções de futebol do mundo.

. o melhor treinador do planeta [José Mourinho]

e um dos melhores jogadores [Cristiano Ronaldo]


Eu conheço um país que...

. tem um Prémio Nobel da Literatura [José Saramago]

.tem uma das mais notáveis intérpretes de Mozart [Maria João Pires]

. tem pintores e escultores reconhecidos internacionalmente [Paula Rego, Júlio Pomar, Maria Helena Vieira da Silva, João Cutileiro]

. tem dois prémios Pritzker de arquitectura [Sisa Vieira e Souto Moura]


Este país é Portugal

Tem o que está escrito acima, mais um sol maravilhoso, uma luz deslumbrante, praias fabulosas, ótima gastronomia.





Bem-vindo a este país chamado PORTUGAL

Texto: Nicolau Santos 
Imagens da Internet

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Dr. Belarmino [3]

O Luis Eduardo [Zito], até à idade de um ano, foi sempre muito fraquinho e doentinho. Tinha muitas maleitas, pôs-se um chicharro, era alimentado com leite de cabra.
Uma mulherzinha foi vê-lo e comentou: «Eu também tive assim um filho, coitadinho.» «Que lhe aconteceu?», perguntou D. Lurdes. «Morreu», foi a resposta.

A criada Teresa, passava noites em claro a cantar com ele ao colo. A canção favorita era: «Agora é que eu me maneio nos braços do meu amor!» Mal se calava, ele desatava logo a berrar. Não deixava ninguém pregar olho. Tenho uma ideia do vai e vem da Teresa com ele ao colo na sala. O Zito custou muito a melhorar.
O Dr. Belarmino, entre outras medidas, comprou uma vaca leiteira, que ficou nas Olgas onde tinha pasto abundante. O leite da vaca contribuiu para ele arribar e pôr-se um pimpolho muito lindo. Muitas das vezes era o Dr. Belarmino quem trazia o leite das Olgas.
Recordo-me que a vaca teve ainda um bezerrinho, que aturou as minhas brincadeiras. Cheguei a montá-lo e a malhar dele para baixo, no lameiro das Olgas.

A certa altura, o Dr. Belarmino mudou-se com a família  para uma moradia situada a pequena distância da capela de S. Sebastião, no extremo sudeste da aldeia.


 Casa antiga, com grades três das janelas dos quatro quartos, três salas e uma cozinha  com piso em lajes de granito, com saídas para a cortinha  e  para o quinteiro.


Tinha  no interior uma mina de água, com uma porta em ferro, anexa á cozinha [onde no Verão o Dr. Belarmino punha água e a pinga do tinto a refrigerar - era uma autêntica geleira], por baixo uma adega e duas lojas.
Atrás um quinteiro, com um palheiro e loja para o cavalo ao fundo.
À frente uma enorme cortinha com três meroças e outra mina de água a meio na segunda meroça. Havia duas árvores de fruto de grande porte, uma cerejeira e uma nogueira; abrunheiros, ameixieiras, macieiras, marmeleiros, e videiras ao longo da parte interior dos muros de suporte das meroças, espaços mais que suficientes para eu o meu mano espairecermos com os amigos; armando esparrelas aos pássaros, subindo às árvores à procura de ninhos, ou ainda colhendo frutos, no tempo deles. As cerejas  e os pintassilgos doirados eram  preferidos.

Ir à missa aos domingos e visitar-nos era para o avô Luís um acto solene. Vestia a preceito o seu fato e capa preta com abas de cetim, chapéu e duas bengalas que os seus já noventa  anos não dispensavam, conforme a foto documenta. Eu, compenetrado e perfilado ao lado da minha tia e madrinha  [hoje com 99 aninhos], o meu mano recostado de bibe ao lado de um amigo.

O dono desta moradia, um emigrante de apelido Santos, residia no Brasil. Cedeu esta casa gratuitamente ao Dr. Belarmino. Era a única moradia em Vilarinho com sanita em loiça. Não havia água canalizada.

O Cano era um fontanário, com quatro torneiras, onde a população, aguardando vez, se abastecia de água, que as mulheres levavam à cabeça, com uma rodilha de protecção – a sogra –, em cântaros ou canecos para casa.
As bestas também transportavam em engarelas quatro cântaros de água.
O tanque das burras [onde estas bebiam], antecedia esse fontanário, ficando separado por um muro, com escadas de acesso nos extremos.

Conta-se que quando o Santos veio a Portugal com a esposa brasileira, esta, como não havia retrete, tinha que fazer as necessidades no quinteiro, onde o porco, à sua volta, não a largava. Aflita gritava alto pelo marido: «Santos…! Santos…! Reco papa a minha bunda…!». Então o Santos, para sua tranquilidade e comodidade da esposa, mandou fazer uma casa de banho com sanita ligada a uma fossa construída no quinteiro, – um luxo na altura.

O Dr. Belarmino mandou substituir os soalhos das salas de entrada e de jantar. As madeiras provieram dos pinheiros das Olgas [sua propriedade raínha], serradas pelo Pressas-serrador. O carpinteiro encarregado de fazer o trabalho foi o António Vieira mais conhecido pelo Fala-barato. O homem gostava mesmo de falar, era boa pessoa e simpático. O filho – Belarmino também de nome – foi meu colega na escola primária. Tinha também uma filha chamada Mabélia. Não primavam pela inteligência, para desgosto do pai..

Ao fundo da cortinha existe ainda um muro desproporcionadamente alto, mandado construir pelo primitivo dono, no princípio do século XX, para impedir a vista de cenas escandalosas, visíveis do exterior, protagonizadas pelas banidas – refugiadas oriundas da Europa Central. O muro ficou conhecido pelo  muro das banidas.

Um dos quartos foi adaptado para o consultório do Dr. Belarmino. Finalmente, o Dr. Belarmino tinha o seu consultório. Ficava contíguo ao quarto do casal. Garantindo assim assistência médica praticamente permanente. Durante a noite bastava baterem no vidro da janela do quarto [a porta de acesso à cortinha ficava sempre só no trinco] alertarem o médico e serem de seguida atendidos.

Os doentes iam ao médico quando já não suportavam o sofrimento, embrulhados na sua dor e na sua amargura.

Naquele tempo, era difícil o exercício da medicina. Faltava de tudo um pouco: medicamentos, anestésicos, desinfectantes, etc. A situação em Vilarinho, face ao seu afastamento na terra fria transmontana, era duma carência extrema.

O Dr. Belarmino enfrentava com meios improvisados as situações de emergência mais dramáticas. O fim, era deixar o doente o melhor possível. 

As constipações e gripes eram tratadas com «papadas de linhaça e pó de mostarda» em água quente. As papas eram despejadas em cima dum pedaço de lençol, com gaze por cima. A papada dava a volta ao peito e às costas, aconchegada por qualquer outra coisa.

Houve que extrair unhas encravadas e infectadas com deficiente anestesia. Lancetar, com o bisturi, abcessos deixando uma mecha de drenagem. Queimar carbúnculos com  chave de fendas aquecida ao rubro na máquina a petróleo. [Só mais tarde é que pôde ser utilizado o termocautério]. Tratar fracturas a olho clínico, com talas e ligaduras. Mirandela, a cerca de 30 km, era a localidade mais próxima onde era possível tirar radiografias.

Era o tempo em que se pincelavam as amígdalas com iodo e da pomada de colargol, manipulada em Carrazeda pelo farmacêutico Raínha.

Medicamentos injectáveis eram aplicados com seringas de vidro e agulhas reutilizáveis, esterelizadas em
àgua fervente e transportadas em caixas metálicas. A maioria eram aplicadas nas nádegas.

Nas zonas rurais existia uma maior proximidade entre o médico e o doente. Essas relações tinham aspectos positivos e negativos. Iam muitas vezes para além do aspecto clínico. O médico tinha que ser duro para as pessoas que abusavam da sua paciência.

São muitas as recordações de casos insólitos que ocorreram no consultório do Dr. Belarmino, recordo alguns:

Uma mulher do Pinhal do Douro andava metida com um homem casado. A mulher sabia, e, quando encontrou com a rival, dirigiu-se como que para a beijar e de papo feito mordeu-a num beiço. A outra não esteve com meias medidas, pagou-se na mesma moeda, mordendo-a também num beiço, ficando as duas a sangrar. Concluindo, morderam-se nos beiços.
A casada, com o marido, pôs-se a caminho e foi a Vilarinho tratar-se no consultório do Dr. Belarmino. Passados uns instantes apareceu a outra acompanhada de um familiar, cruzando-se as duas no consultório. Esta tragicomédia fez rir a bom rir o Dr. Belarmino.

Um homem, na taberna do Daniel Duque, apostou em como conseguia comer um trigo inteiro duma só vez. Resultado, forçou tanto os queixos, que desconjuntou o maxilar inferior. Aflito correu para casa do Dr.Belarmino. Este meteu-lhe dois dedos na boca e, em dois tempos, articulou o maxilar para alívio do alarve que lhe ficou muito agradecido. Viu-se livre daquela e, com certeza, ficou sem vontade de se meter noutra.

Uma mulherzinha levantou a filha por um braço e sem querer desconjuntou-lho. Correu também aflita ao médico. Este lá conseguiu repor as articulaçõezitas da criança no seu devido lugar. A mulherzinha aliviada agradeceu.

As feiras eram muito concorridas e as tabernas também. Havia muitas rixas. Era raro o dia de feira em que não apareciam, no consultório do Dr. Belarmino, metoitas rachadas, vulgo esmicholados – por apedrejamento ou à paulada.
Os golpes eram desinfectados, tratados e suturados com agrafos – ganchos que uniam os lábios das feridas.
A maioria dos pacientes, passada uma semana, já estava em condições de se tirarem os agrafos e prontos para outra, não obstante das recomendações do Dr. Belarmino

Lembro-me ainda da operação  a um potro, que saltou por cima de uma cancela de madeira, que dava acesso a um prédio situado nas traseiras da Capela de São Sebastião, rasgando o soventre. O potro foi transportado para o palheiro que ficava no  quinteiro. Aí o Dr. Belarmino fez de cirurgião/veterinário, com numerosa audiência um pouco à distância, operou-o e coseu-o, ficando o potro como novo.





sábado, 30 de abril de 2011

Dr. Belarmino [2]

O Dr. Belarmino considerava que a fragilidade da esposa não se coadunava com esforços necessários à lida da casa, pelo que quando a via envolvida nessa actividade, observava-lhe: «Que disparate! Quem te mandou fazer isso!? Tu sabes bem que não podes!? Considerava ainda que a esposa não tinha a obrigação de se levantar cedo. Não consentia que a incomodassem enquanto descansava ou dormia.

Em casa do Dr. Belarmino nunca faltava nada, mas não havia saldo para grandes extravagâncias.
Para os seus alfinetes, a D. Lurdes vendia particularmente: azeite, trigo, centeio, milho, etc.


Era o tempo em que todas as fotografias de família eram a preto e branco.


A porta da loja do cavalo, para além da sua função normal [acesso à loja do Galiza], tapada parcialmente com uma manta, servia de fundo para o retratista tirar retratos de família à la minuta.

A Favelina vivia connosco, era o braço direito da minha mãe, estava sempre à mão.


Era ainda parenta do avô Luís Cordeiro – a mãe dela chamava-lhe Tio Luís. Cuidava das coisas da casa, fazia pequenos trabalhos de modista e para além disso fazia as minhas roupas. Ajudou a criar-me. Gostava
muito de mim. Era uma pessoa de família.

Emigrou para o Brasil. O Dr. Belarmino, em reconhecimento dos serviços prestados, deu-lhe o dinheiro necessário para a passagem e deslocou-se ao Porto para tratar pessoalmente da papelada necessária.


O irmão tinha prometido arranjar-lhe lá trabalho como modista. Foi, no entanto, tratar dos filhos dele. Mais tarde casou com um sapateiro. Não foi muito feliz. Ainda escreveu algumas vezes à D. Lurdes, minha mãe. Faleceu ainda nova. Deixou boas recordações e muita saudade. Foi considerada insubstituível.


A Renaldina, uma rapariga vizinha da minha avó paterna, sucedeu à Favelina.


Entretanto aproximava-se o nascimento do meu irmão.


A meio da manhã dum frio dia 12 de Dezembro, a D. Lurdes começou a sentir as dores. Chegou o trabalho de parto activo. Mandou a Favelina comprar uma galinha e ir chamar o Dr. Belarmino à Casa do Povo.


O Dr. Belarmino, meu pai, veio logo e tratou dos preparativos para o parto que, por causa do frio de rachar, se realizou em cima dum colchão na cozinha ao calor da lareira. O parto  dificultado pelo tardio rebentamento das águas correu bem, graças à aptidão do Dr. Belarmino, que se abstraiu da condição de pai assumindo com profissionalismo e competência a de médico.


Assim nasceu, na intimidade do lar, o meu irmão Luís Eduardo, trinta e sete meses e nove dias depois de mim.


Seguidamente, o meu irmão e a minha mãe – levada ao colo pelo meu pai – foram acomodados num  quarto, onde ficaram mais confortáveis, não faltando a braseira para aquecimento do quarto.


Mal me apercebi do acontecimento, corri para casa dos avós paternos, dando a boa nova a quem encontrava no caminho. Ao chegar, avistei a minha avó Olívia na varanda da cozinha, onde nas horas vagas estava sentada a pontear a roupa,  exclamei: «Avòzinha, já lá temos um menino de Paris!». A avó Olívia pôs o xaile nos ombros e lá foi comigo apressada ver o neto.

Levou uma manta vermelha feita em Urros [manta de lã de ovelha tecida em teares manuais,  que nas duas fotos serve de pano de fundo tapando à porta da loja do cavalo], uns metros de flanela para o enxoval comprada no soto e um pouco de unto que, segundo uso na terra, fazia bem às parturientes.


A primeira coisa que a avó fez quando chegou foi mandar tirar a braseira do quarto, para o bebé e a mãe não correrem riscos.


O Dr. Belarmino, pôs o unto de parte e mandou dar à D. Lurdes uma canja dum frango gordo oferecido pela irmã da Favelina.


A avó, com sentido de humor, comentava que o Luizinho tinha vindo com os feirantes, visto dia 12 ser dia de feira em Vilarinho.


No dia do nascimento, o Heitor filho da vizinha Sra. Otília Lousão, dirigiu-se à mãe nestes termos: «Mãe! O Sr. Doutor já lá tem um raparigo, parece que não é de agora, ele berra tanto!»


A Sra. Otília foi ver o raparigo e levou uma pita.
Nos intervalos das substituições das criadas, a Sra. Otília disponibilizava as filhas Alzira e Celeste para ajudarem a D. Lurdes.

Foi um acontecimento logo divulgado por todo o Vilarinho. Naquele dia e seguintes houve um corrupio de visitas lá em casa, designadamente  pessoas da aldeia, que levavam uma pita, como oferta, de acordo com a tradição.


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Dr. Belarmino [1]

Belarmino concluiu, em meados dos anos 30 , o curso de Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Contava que o Pai lhe deu «cinco coroas» como recompensa, que acabou por dar ao irmão Américo, muito mais novo, face à «birra» que fez, protestando por igual quantia. Luís António, lavrador abastado,  era uma pessoa muito autoritária, do tipo «quero… posso… e… mando».

Quando Belarmino acabou o curso, teve este desabafo para a Lurdes: «Quero que o “Meu” Belarmino fique cá! Já estou velho, nem pensar em ele sair daqui! Preciso de alguém que tome conta das terras!»

O "Tio Luís", como era conhecido, tinha naquela altura um macho muito manso. Quando o dono o montava, parecia escolher o melhor caminho para não o incomodar. Era nele que se deslocava para as suas propriedades.

Assim, já com o diploma de médico, o Dr. Belarmino começou a sua carreira em Vilarinho da Castanheira, tomando conta das suas terras e das do pai.

Vilarinho da Castanheira insere-se na chamada Terra Fria, bravia e de penedia, com Inverno muito rigoroso e prolongado, com geadas fortíssimas de Setembro a Maio. Também neva com muita intensidade. O Verão é muito curto e quente. As temperaturas oscilam, durante o Inverno, entre temperaturas negativas e positivas que, geralmente, não ultrapassam os 10 graus. Já no Verão podem ultrapassar os 30. «Nove meses de Inverno e três de inferno».

O Dr. Belarmino tinha forte ligação à região devido às suas raízes familiares.
Era um homem de hábitos simples. Em contraponto D. Lurdes, a esposa, detestava a terra onde nasceu.
A vida do médico na zona rural não era fácil. Olhou para o futuro (o futuro que não era seu, nem é de ninguém!), começou a tratar das propriedades: terras, olivais e vinhas – a ser lavrador sem deixar de ser médico.

Uma das primeiras medidas do Dr. Belarmino, foi a compra dum cavalo, que foi baptizado com o nome de «Galiza», atentas as afinidades com a vizinha região galega.
A loja do cavalo ficava no outro lado da rua, mesmo à mão de semear [conforme eu testemunho posando para a posteridade]. O Galiza pressentia e reconhecia os passos do dono na rua, relinchando e apelando por um feixe de feno  na manjedoura ou uma vianda com farelos, com que o dono o regalava com inusitado prazer. 

Era o meio de transporte que utilizava para percorrer os caminhos tortuosos do interior rural; não só para se deslocar às propriedades, mas também nas visitas aos doentes e a parturientes residentes nos casais e quintas fora da aldeia e nas aldeias circunvizinhas, a qualquer hora do do dia ou da noite arrostando o calor, o frio, a neve ou a chuva, acorria ao apelo dos familiares dos "seus" doentes que lhe batiam à porta . Era o único médico naquela região.

Por vezes, o Dr. Belarmino ia armado e acompanhado por alguém, também armado, por causa das esperas dos salteadores e eventualmente dos lobos, que lhe saíam ao caminho seguindo-os até perto das povoações.

Foi o primeiro e o último médico residente de Vilarinho, terra que o viu nascer. Foi o médico/fundador da Casa do Povo, onde começou a diagnosticar doenças, a prescrever tratamentos, a devolver saúde, a salvar vidas. Naquela altura ser médico era apenas ser médico, pràticamente havia poucas especialidades.

As pessoas eram na sua maioria gente muito pobre que vivia paredes-meias com os animais domésticos e os currais de gado. Estes animais andavam à solta e estercavam nas ruas ponteadas com bostas de bois. Junto às casas, formavam-se rimas de estrume, a curtir ao sol, depois acarretado, em engarelas nas bestas ou nos carros de bois, vulgo «charriantes», para adubar as terras.

As doenças infecciosas – tuberculose e febre tifóide – e pneumonia, bem como os carbúnculos eram uma constante.
Guardo memória dum  paciente que foi à consulta calhando entrar pela porta da cozinha.  Respeitosamente apertou a mão aos elementos da família que encontrou, incluindo uma “mãozada” ao Dr. Belarmino.
Sucedeu que o homem tinha sarna. Contagiou o médico e familiares. Não faltou sarna para coçar-nos. Na altura a sarna era tratada com água de farelos salgada.

A maioria dos pacientes, não tinha dinheiro, nem para consulta nem para os remédios. Pagavam mais tarde, ou em jeiras ou simplesmente não pagavam. Para valer aos mais necessitados recorria, quando podia, a medicamentos de amostras clínicas.

O Dr. Belarmino era muito circunspecto, poupado e minucioso, muito cioso das suas economias.Tinha gostos moderados e gastos sem expressão.

Desempenhava ainda funções de Delegado de Saúde, fazendo inclusive autópsias que, por falta de instalações adequadas, eram realizadas no cemitério. Lembro-me de serem autopsiados três irmãos de Coleja, afogados no rio Douro, pelo facto de o barco em que seguiam se ter virado.

Recordo ainda o apoio que dei no registo das pessoas a vacinar, nas campanhas de erradicação da varíola. Já naquele tempo havia muitas mães solteiras, dado que os progenitores que indicavam eram casados e «respeitáveis» chefes de família.

Anteriormente nascia-se de qualquer maneira e em qualquer sítio, sem assistência médica. Havia na aldeia, entre outras, duas mulheres que se prestavam a fazer «esse serviço».
As benzedeiras com as suas tisanas e mesinhas, e os curandeiros, principalmente os «endireitas» também desempenhavam o seu papel suprindo, sabe Deus como, a falta de um médico que até então nunca houve.

A insalubridade dificuldades e as mentalidades, por vezes rudes daquela gente, foram ultrapassadas pelo novo médico, que arregaçava as mangas, lavava mãos e braços, pedia uma bacia com água quente e toalhas, assegurando as condições de higiene necessárias para dar seguimento ao parto. Em casos mais difíceis, raramente, recorria ao «fórceps» [instrumento em forma de tenaz para apressar a extracção da criança].
Com maior ou menor dificuldade era bem sucedido, era «especialista». Colegas chegaram a pedir-lhe opinião e ajuda, a que correspondia com profissional satisfação.

Ser médico é lidar com a dor, o sofrimento e a morte e ao mesmo tempo procurar viver como um cidadão comum.


terça-feira, 29 de março de 2011

O NORTE


Vá lá um pouquinho de vaidade merecida!...
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O Norte é mais Português que Portugal. As minhotas são as raparigas mais bonitas do País. O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela. As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram.


Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde-branca. Verde-rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se branco ao olhar. Até o granito das casas.


Mais verdades.


No Norte a comida é melhor.


O vinho é melhor.


O serviço é melhor.


Os preços são mais baixos.


Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia


Estas são as verdades do Norte de Portugal.


Mas há uma verdade maior.


É que só o Norte existe. O Sul não existe.
As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, etcaetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta.


Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte.


No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista?


No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos falam de Portugal inteiro.


Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país.


Não haja enganos.


Não falam do Norte para separá-lo de Portugal.


Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal.


Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal.


Mas o Norte é onde Portugal começa.


Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo.


Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte.
Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa.
Mais ou menos peninsular, ou insular.


É esta a verdade.
Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte. Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.


No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa.


O Norte cheira a dinheiro e a alecrim.

O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho. Tem esse defeito e essa verdade.
Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas.


O Norte é feminino.
O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso.


As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos.


Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito. Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros. Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens. Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas.


São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem. As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte. Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente.
Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial.


O Norte é a nossa verdade.


Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte só porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.
Depois percebi.


Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o "O Norte".


Defendem o "Norte" em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo. Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma terra maior, é comovente.


No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima. Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita.


O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os- Montes, se é litoral ou interior, português ou galego? Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar.


O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm e dizer "Portugal" e "Portugueses". No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos. Como se fosse só um nome. Como "Norte". Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros. Porque é que não é assim que nos chamamos todos?




Escrito por Miguel Esteves Cardoso

Imagem Google

segunda-feira, 21 de março de 2011

OLÁ AMIGOS/AS !!!


Afinal não foi uma PAUSA, foi sim um hiato demasiado longo, cujo motivo faz parte dos imponderáveis da vida em que a recordação dos bons momentos é abafada pelos maus.

É preciso estarmos atentos aos sinais que a vida [a prazo incerto] nos dá. Um deles é de que preciso estar com os meus AMIGOS/AS, ganhar forças e apoiar-me na partilha com ELES/AS.
Faltam-me os vossos conselhos, as vossas impressões, os vossos comentários, bem como a vossa presença com palavras sinceras e sobretudo alentadoras.

Os últimos três meses têm sido muito densos. As crises são inevitáveis, acompanham as nossas vidas, fazem parte do nosso processo evolutivo e do nosso crescimento individual.

É difícil carregar em silêncio o fardo de situações dolorosas. Mesmo assim procuro adaptar-me às circunstâncias, prestando atenção e cuidando de quem precisa. É isso que me liberta e dá sentido à vida.

Procurei, assim, resguardar-me por um tempos.

Aqui estou procurando satisfazer, na medida do possível, a curiosidade e legítima preocupação dos meus AMIGOS/AS e corresponder à sua amizade. 

Tentarei reatar e manter, conforme puder, este elo de ligação e partilha com os meus AMIGOS/AS. TODOS/AS têm algo em comum: são INDISPENSÁVEIS!!!

Obrigado a todos/as !!!
Um abraço para todos/as !!!
Tenham uma Boa Semana !!!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O Anjo de Timor / PAUSA

O Anjo de Timor é um conto sobre a noite em que nasceu Jesus.


Há muitos, muitos anos, em Timor, vivia um liurai muito poderoso e muito bom. Na sua juventude, resolveu ir correr mundo, para se tornar mais sábio.

Foi viajando de barco, de ilha em ilha, até chegar a uma terra distante. Ali, um dia, conheceu um mercador vindo de muito longe, dos países do lado do poente, e que também ele andava há longos anos em viagem.

Esse mercador contou-lhe que, na sua viagem, tinha ouvido contar que, ainda muito mais longe, para além das montanhas, oceanos e dos imensos desertos de areia, vivia um povo que adorava um Deus único e todo-poderoso, criador de todas as coisas e do próprio homem. Acredita que o seu Deus, um dia, descerá à Terra para salvar todos os homens.

- Quero ir ao país onde mora esse povo - disse o timorense. - Quero ouvir mais notícias do Deus que um dia descerá dos céus e viverá entre nós.

- Ai, é impossível - respondeu o mercador. - Esse país fica tão longe que, mesmo se viajasses a tua vida inteira, não conseguirias lá chegar.

E assim ficaram falando toda a noite, mas, no dia seguinte, o mercador partiu de barco para a sua terra. Quando o barco desapareceu ao longe, o liurai pensou:

- Já vi tantos lugares e tantos povos, mas não posso encontrar o povo que adora o Deus único, porque, memsmo que viajasse a vida inteira, não conseguiria lá chegar. Por isso, de que me serve viajar mais?

E voltou para a sua terra.

Foi uma viagem longa, comprida e difícil. Quando chegou à sua casa era alta noite e já todos dormiam. Estava tão cansado que, mal entrou, adormeceu estendido no chão. E enquanto dormia, ouviu em sonhos uma voz que lhe disse que esperasse, esperasse sempre, pois um dia, a meio da noite, Deus lhe mandaria um sinal.

Na manhã seguinte, a família do liurai recebeu-o com grande alegria, porque a viagem durara anos e anos, e já ninguém sabia se ele era vivo ou morto. Os seus pais mandaram chamar parentes e amigos e nessa tarde todos cantaram e dançaram para festejar o seu regresso. mas quando todos partiram e os que moravam com ele adormeceram, o liurai foi-se sentar à porta da sua casa, à espera do sinal de Deus. Ali ficou, mudo e atento, e só depois do meio da noite foi dormir.

Daí em diante, foi sempre assim. Durante o dia, o liurai encontrava-se com os seus amigos e parentes e presidia à vida e aos trabalhos da população. Era um chefe amado e respeitado, porque era bom, justo e sábio.

Mas à noite, quando todos tinham adormecido, sentava-se de novo sozinho, à porta da sua casa, à espera de um sinal de Deus. Escutava os barulhos da noite, o suspiro do vento nas árvores, a voz do mar ao longe, respirava os perfumes da noite - cheiro da terra, aroma das flores, aroma do sândalo, cheiro distante do mar. Olhava sem fim o brilho das estrelas.

À medida que os anos passaram, ia envelhecendo, mas todas as noites se sentava à entrada da sua casa, à espera do sinal de Deus. Pousava sempre ao seu lado a pequena caixa de sândalo, que tinha lá dentro as pedrinhas com as quais na sua infância jogava o hana-caleic.

E, de vez em quando, abria pequenas poças na terra e, como na sua infância, brincava com as pedras do caleic.


Mas às vezes tinha medo da noite e sentia-se sozinho, como se Deus não o estivesse a ver. Então dizia:

- Meu Deus, não me abandones. Vê-me

E numa noite assim, quando ele se sentia tão cansado e tão só, mais uma vez levantou a cabeça e olhou para as estrelas. Então viu levantar-se do Oriente uma grande estrela claríssima e luminosa que, muito devagar, atravessava o céu.

E o universo inteiro ficou mudo e atento. De súbito, uma voz altíssima cantou:

- Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade.

E o liurai viu na sua frente um jovem todo vestido de luz. E reconheceu que ele era o mensageiro de Deus, porque na sua cara brilhava uma alegria imensa.

E o jovem disse:

- Alegra-te, liurai, porque o Deus que tanto tens esperado se fez homem e desceu hoje à terra. É uma criança recém-nascida e está deitado num curral de animais, em cima de um molho de palha. mas todos os anjos lhe cantam louvor e em breve chegarão os pastores para o adorar. E dentro de poucos dias chegarão os três reis magos do Oriente, que vêm seguindo a estrela. Eles, de joelhos, adorarão o Menino e cada um lhe há-de oferecer um presente. Gaspar traz uma caixa com oiro, Melchior uma caixa com mirra e Baltasar uma caixa com incenso.

- Quero ir com eles, exclamou o chefe timorense.

- É impossível. Belém fica tão longe que, nem que caminhasses a tua vida inteira, lá chegarias.

- Então tu, anjo, que és mais rápido que o pensamento, leva a meu presente ao Menino. É uma caixa de sândalo que tem lá dentro as pedras com que eu brincava ao caleic quando era pequeno.

- Foste tu o único que te lembraste de Lhe mandar um brinquedo. Quando os reis chegarem - respondeu o anjo -, eu estarei com eles e poisarei a tua caixa em frente ao Menino!

Mal o anjo desapareceu, o liurai encostou-se a um pilar da sua casa e adormeceu na paz do Senhor.

A partir de então, sempre que se celebra o Natal, o anjo de Timor ajoelha-se ao lado dos reis magos, em frente ao presépio que há no céu, e oferece ao Menino o presente do velho liurai.

Este Natal, o anjo de Timor ajoelhou-se e disse:

- Menino Deus, Príncipe da Paz, Deus Todo-Poderoso, lembra-te do povo de Timor que por ti foi confiado à minha guarda. Senhor, escuta as suas preces, vê o seu sofrimento. Libertai-os do seu cativeiro, dai-lhes a paz, a justiça, a liberdade e a plenitude da Vossa graça. Glória a ti, Senhor!

Um liurai é um rei, chefe, timorense.

E tu, que em tantas coisas és rei, também terás a tua oportunidade perante o Menino. Tens muitos dias e noites, uma grande viagem para treinares.

Que este Natal seja para ti um nascimento de vida e paz no teu coração.


Timor já saiu do cativeiro, mas ainda falta muito tempo para que a paz, a justiça, a liberdade e a plenitude da Graça de Deus se manifestem em toda a sua. Glória.


PAUSA: Por motivos pessoais, apelando à vossa tolerância e amizade, permito-me fazer uma PAUSA a fim de respirar Ar, Sol e Caminhar mais um pouco à Beira Mar, procurar um reequilíbrio nas oscilações da vida,  encontrar-me comigo próprio e com a minha Família.

REENCONTRAR-NOS-EMOS tão breve quanto possível. BEM HAJAM!!

Imagem da Internet
Texto Sophia Mello Breyner

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O Célebre Azulejo de Toledo


ESTE É O CÉLEBRE AZULEJO DE TOLEDO



Para que não tenham dúvidas... Esta é a sua tradução para português:

A SOCIEDADE É ASSIM:

O POBRE TRABALHA

O RICO EXPLORA-O

O SOLDADO DEFENDE OS DOIS

O CONTRIBUINTE PAGA PELOS TRÊS

O VAGABUNDO DESCANSA PELOS QUATRO

O BÊBADO BEBE PELOS CINCO

O BANQUEIRO "ESFOLA" OS SEIS

O ADVOGADO ENGANA OS SETE

O MÉDICO MATA OS OITO

O COVEIRO ENTERRA OS NOVE

O POLÍTICO VIVE DOS DEZ

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