terça-feira, 19 de outubro de 2010
A Instrução Primária de "outrora"
domingo, 10 de outubro de 2010
As vindimas de "antanho"
Em Setembro e Outubro as uvas estavam bem maduras para comer. Apresentavam-se em várias espécies, brancas ou tintas.
Embora grande parte das uvas se destinassem à produção de vinho, havia uma grande tradição de colheita de uvas para conserva.

Acompanhava a vindima nas vinhas de S. Bartolomeu, Olgas, Fraga dos Pais e Fontaínhas. Era a minha derradeira actividade no fim das "férias grandes", antes rumar para o colégio Almeida Garrett, onde estudava como aluno interno.
sábado, 2 de outubro de 2010
Maria Pita [Uma mulher de armas]
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
XACOBEO 2010
Santiago de Compostela é um dos mais importantes locais de culto do Mundo e actualmente Património da Humanidade.
Este ano estimam-se em 10 milhôes os peregrinos que visitarão Santiago.
São Tiago era um apóstolo, um seguidor, um amigo de Jesus Cristo. Veio pregar as "boas novas" no Ocidente e na Galiza. Ao retornar à Palestina foi preso e decapitado no ano 44 D C.
A história conta que os seus restos mortais foram trazidos num navio para o Ocidente por dois dos seus seguidores, Teodoro e Anastácio.
Oito séculos depois um ermitâo, de nome Pelágio, teve uma visão de uma chuva de estrêlas, que levou à descoberta do seu túmulo e os dos seus dois seguidores.
Visitei Santiago de Compostela em 1965 e 1972 aquando das minhas 1ª e 2ª licenças graciosas. Posteriormente em 1995 e a partir do ano 2000 todos os lustros - 6 vezes ao todo. Sempre senti tratar-se de uma cidade especial.
"Chuva e tormentas", foi o prognóstico metereológico para a caminhada do dia seguinte, que aguardávamos com certa expectativa. Previsão que desmobilizou parte dos "potenciais peregrinos", principalmente homens. As mulheres foram mais determinadas, poucas desistiram.
Peregrinar é um acto de Fé. É um caminho e como tal pressupõe um itinerário, mas não se esgotam nele, tem que se lhe associar uma intenção e um objectivo.
Estava uma manhã de céu cinzento, a prometer mais chuva que outra coisa [sol?..nem vê-lo].
A nossa caminhada prosseguia em ritmo apressado, o que não impedia que os peregrinos passassem por nós no seu passo cadenciado, apoiados na sua bengala e com a imprescindível mochila às costas.
Tratou-se da reconstituição dum trecho da última etapa dos peregrinos até Compostela, pelo caminho original até ao Monte do Gozo [pouco mais de 7 Km, em cerca de 1h30]. Acabaram-se as tréguas e a chuva começou a cair com intensidade crescente.

À chegada ao ao Monte do Gozo os peregrinos perscrutam o horizonte à procura de avistar, pela primeira vez, Santiago e as torres da Catedral.
Conta a tradição que, no Cabo Finisterra, os peregrinos queimavam as roupas e banhavam-se no Atlântico para nova descoberta pessoal, para uma nova vida, um novo caminho.
A entrada na Catedral, de estilo românico, onde se encontra o túmulo de São Tiago, é o objectivo final de quem percorre os "Caminhos de Santiago".
O mais importante é o Caminho Francês, com cerca de 900 Km, que os peregrinos percorrem em cerca de 20/25 dias, caminhando cerca de 9 horas por dia.
A Porta Santa [ encimada pelas estátuas de São Tiago, ladeado pelos seus dois seguidores Teodoro e Anastácio] está sempre fechada, excepto nos Anos Santos [sòmente abre no dia 31 de Dezembro] e nos Anos Xacobeos [está aberta todos os dias].
A fila era longa e sinuosa, todos aguardavam a sua oportunidade para fazer o deambulatório [entrar, passar por detrás do Santo, abraçá-lo nas costas e passar pelo túmulo que contem as suas relíquias].
O Botafumeiro, famoso turíbulo, maior incensário do mundo, é puxado por oito tiraboleiros, vestidos de vermelho, que puxando as cordas o põem em movimento [á esquerda na imagem].
Antigamente o incenso do botafumeiro servia para disfarçar o mau cheiro dos peregrinos que pernoitavam dentro da Catedral.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Adeus Verão. Olá Amigos!!


Antes de mais, quero cumprimentá-los e saudá-los, dando-lhes conta da retoma de actividade do Azimute.
UM... ATÉ BREVE!!... não o foi na verdadeira acepção da palavra, mas acabou por sê-lo [pelo menos para mim] uma vez que o tempo passou "num abrir e fechar de olhos".
O silêncio que alcancei nas minhas evasões para o Barrocal Algarvio [entre o Litoral e a Serra], onde mora a tranquiliade, fez-me sentir melhor. Ali tenho liberdade e não há limitações nenhumas. É puro descanso com a natureza por companheira. O silêncio possibilita-nos reparar nas coisas mais simples e valorizar o que é belo. Ouvir os sons da natureza.
Quem não se lembra do som característico das cigarras nos dias quentes de Verão? O seu canto é não só uma das armas de sedução dos machos para atrair as fêmeas, mas também para alertar para a presença de predadores.
Das borboletas [flores que voam], que quando alguém as quer caçar não fogem seduzem. São tão vaidosas que chegam a irritar.
Os gafanhotos herbívoros, por vezes de comportamento canibal, quando há a escassez de alimento e devoram-se uns aos outros.
As sardaniscas a aquecerem-se ao sol, ao início da manhã para ganharem mais mobilidade.
Os pardais buliçosos, quais galinhas, espojando-se na terra.
O Barrocal é interessante tem muito para se ver, pena é que seja a região mais pobre do Algarve.


Muitas alfarrobeiras, amendoeiras, tristes, silenciosas e abandonadas com o chão pejado dos seus frutos sem que alguém se disponha a apanhá-los e colhê-los? O mesmo vai já acontecendo com as laranjeiras. Os tempos mudaram, o custo da mão de obra não compensa. Havendo quem dê as alfarrobas e as amêndoas só pela limpeza do terreno. É mesmo assim!...
Aproveitei o tempo para recarregar baterias através das minhas caminhadas matinais e respirando ar puro, revisitando o litoral, a serra e... passeando um pouco.
Tudo isso procurarei partilhar convosco, na medida do possível.
UM ABRAÇO E... BOA SEMANA!!
Jorge
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Hoje eu estou cansado, por favor não me peçam nada!!!









quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Silves / Xilb ou Xelb [II]
Retomando a história do domínio árabe na Península Ibérica giramos à volta da figura lendária de Al Mu'tamid Ibn Abbad político-poeta, que nos legou um património único que urge preservar, dar a conhecer e reviver.
É neste ambiente de disputa que os Abábidas criam a Taifa de Sevilha, que cedo engloba a região do Gharb e Silves, Al Mu'tamid Ibn Abbad, Senhor de Sevilha, torna-se também senhor de Silves, e nomeia como Governador o seu filho Al Mu'tamid Ibn Abbad, nascido em 1040 em Beja, que fará de Silves a sua capital, a partir de 1053.
É ao lado de Ibn Ammar, poeta natural da região [Estombar] e que se tornará seu amigo, que Al Mu'tamid reúne em Silves uma corte de intelectuais, poetas e geógrafos, [Mariame Alansari, Assilba, Ibn Qasi, Ibn Badrum, etc.] que farão de Silves uma capital, não só política como administrativa, mas também cultural, atingindo um esplendor nunca visto e uma importância considerável em todo o Extremo Ocidente.
É dele este poema:
por receio de quem espia
com muita inveja a roer
ela não veio nesse dia
pra assim traída não ser
pla luz do rosto esplende,
plas jóias a tilintar,
e plo perfume do ambar
a que o corpo rescende.
é que ao rosto, com manto,
tapá-lo inda poderia,
e as jóias entretanto,
fàcilmente as tiraria,
mas a fragância do encanto
pra ocultá-la que faria?
O relacionamento entre Al' Mutamid e Ibn 'Ammar torna-se cada vez mais difícil, possessivo e inclusivamente ofensivo, chegando ao ponto de Ibn 'Ammar compor poemas em que ridiculariza 'Itimad, a bela mulher do rei-poeta, conhecida na corte de Sevilha como a Saídat-al-Kubra [a grande senhora], odiada por muitos juristas e religiosos prontos a traírem o seu nome e do seu soberano.
Nada me move, meu príncipe,
Senão a tua vontade.
Contigo vou,
Como viajante noturno
Guiado pelo clarão dos relâmpagos.
Queres voltar para a tua amada?
Vai num rápido veleiro
E seguirei no teu encalço,
Ou salta antes para a sela,
Contigo irei também.
E quando,
Graças à protecção divina,
Chegarmos aos umbrais do teu palácio
Permite que torne sòzinho à minha casa.
Não percas tempo a sacar da espada!
Lança-te aos pés da que tem a cintura delicada
E compensa-a do tempo perdido.
Beija-a e aperta-a contra o peito.
E murmurem vossas bocas
Meigas e doces palavras,
Como os pássaros se respondem mutuamente
Em suaves cantos ao romper de alva
Um outro realce, outra beleza.
É que se punires será o rancor
A tomar mais evidência e mais clareza.
(...)
Perdoa! O que partilhamos me redime
Nos espaços perfumados do Allah
Apaga os vestígios do meu crime!
Venha da clemência o teu soprar
E tudo enfim desaparecerá.
(...)
Que se eu morrer, fique contigo
Uma réstea de consolação.
Morrerei mas levarei comigo
A violência da minha afeição.
O final do reinado do rei-poeta fica marcado pelas ameaças cristãs ao seu reino, que o levam a pedir apoio ao novo soberano de Marrocos, Yussuf Ibn Tachfin, líder da Dinastia Almorávida e fundador da cidade de Marraquexe.
A entrada dos Almorávidas na Península é impiedosa, unificando o território sob o seu poder e desterrando Al'Mutamid e sua mulher 'Itimad para Agmat, nos arredores de Marraquexe, onde terminam os seus dias num miserável cativeiro.
"Grilheta, não sabes que já sou teu?
Porque és dura e sem piedade?
Se esse ferro deste sangue já bebeu
E a minha própria carne já morde
Não me roas os ossos por maldade."
Poema escrito por Al Mu'tamid



Actualmente a figura de Al Mu'tamid constitui mais do que nunca o ponto de convergência de sábios, poetas, historiadores, linguistas ou responsáveis políticos para recuperação de um passado comum e uma estratégia de cooperação entre Portugal Espanha e Marrocos.
Fonte:Internet
terça-feira, 27 de julho de 2010
Silves / Xilb ou Xelb [I]
Ali ignorando o relógio, desconhecendo horários, rodeado de alfarrobeiras, figueiras e amendoeiras, com o mar a desafiar-me na linha do horizonte, tenho tempo para divagações e invocações de quiméricos projectos, justapondo as minhas raízes rurais transmontanas.
De manhãzinha ou à tardinha, gosto de andar pelos carreiros , por vezes, surpreendido por uma cobra que os atravessa ou um coelho que salta da sua cama próxima, ao mesmo tempo que me regalo com o canto dos passarinhos e das rolas gordas, das poupas, dos picanços e outras aves, que esvoaçam de árvore em árvore, bem como perscrutar as corujas que se acoitam nos buracos das paredes da nora, à boca da qual vou provar o eco.
Observo ainda o brilho reluzente dos pirilampos, luzes perenes no escuro das noites.
Os meus pássaros preferidos, desde a infância, são os irrequietos pintassilgos doirados, pela alegria do seu canto e cores vivas da sua plumagem. De quando em também diviso um camaleão, regalado ao sol ou movimentando-se lentamente, num ramo de uma árvore à espera de lançar a língua pegajosa [enrolada dentro da boca] para fora, por forma a alcançar o alimento.


Nas minhas ausências deste paraíso rural vou a Messines ou a Silves onde no Al Karib, num ambiente tranquilo, saboreio o meu café [com um rebuçado] e leio as últimas no meu diário preferido, o JN.
O nome Al Karib faz jus às tradições árabes de Silves.
Silves cidade histórica do Algarve, situa-se também no barrocal algarvio. A sua importância ao longo da sua história deve-se muito ao rio Arade, que corre lentamente para o mar e sempre serviu a cidade e as suas férteis margens.
As suas origens, muito remotas, são de difícil datação. Pensa-se ter origem anterior á chegada dos cartagineses, talvez de fundação fenícia [900 a.C.].
OS ÁRABES EM SILVES
É no período Árabe, entre o século VIII e XII, quando o seu nome é Xilb ou Xelb, que atinge o seu esplendor tornando-se uma das mais importantes cidades do Garb al-Andalus. Foi então várias vezes capital e desse período legou-nos uma quantidade de vestígios que não deixam dúvidas sobre o seu nível cultural dessa época.
Ocupada pelos árabes vindos do Iémen e por colonos norte-africanos após a ocupação da península ibérica no século VIII, Silves passou a fazer parte do califado Omíada de Damasco e abraçou a civilização especial árabe. A cidade era o berço da dinastia independente, a de Banu Muzain.
Em 1053 foi conquistada por Al-Mutamid, senhor do Reino de Taifa de Sevilha através do comando do seu filho Al-Mutamid que transformaria Silves numa cidade cosmopolita, admirada por todo o império Muçulmano, onde a cultura assumiu posição de grande importância "A poesia de AL-MU’TAMID".
Além de Governador de Silves e Rei de Sevilha de 1053 a 1091, Al-Mu’tamid permaneceu na história como grande poeta que nos levou a uma admirável e nostálgica poesia, que poetas, escritores e historiadores árabes não deixaram de glorificar. De características amorosas, trágicas e históricas a sua poesia testemunha não só uma época histórica muito conturbada, como descreve com grande minúcia os ambientes exuberantes, os prazeres, as vivências eos sentimentos que rodearam.
É de Al-Mu’tamid a mais antiga referência ao Palácio das Varandas e a uma das mais belas descrições de Silves:

EVOCAÇÃO DE SILVES
SAÚDA, por mim, Abû Bakr
Os queridos lugares de Silves
E diz-me se deles a saudade
É tão grande quanto a minha.
Saúda o Palácio dos Balcões
Da parte de quem nunca o esqueceu,
Morada de leões e de gazelas
Salas e sombras onde eu
Doce refúgio encontrava
Entre ancas opulentas
e tão estreitas cinturas.
Ai quantas noites fiquei,
lá no remanso do rio,
Preso nos jogos do amor
com a pulseira curva,
Igual aos meandros da água,
enquanto o tempo passava…
ela me servia vinho:
o vinho do seu olhar,
às vezes o do seu copo,
e outras vezes o da boca.
tangia-me o alaúde
e eis que eu estremecia
como se tivesse ouvido
tendões de colos cortados.
Mas se retirava as vestes
grácil detalhe mostrando,
era ramo de salgueiro
que me abria o seu botão
para ostentar a flor.
A sua mulher Itimad Al-Rumaykya um dos seus mais belos poemas de amor.
Acróstico
Invisível a meus olhos
Trago-te sempre no coração
Te envio um adeus feito paixão
E lágrimas de pena com insónia.
Inventaste como possuir-me
E eu, ó indomável, submissa vou ficando!
Meu desejo é estar contigo sempre,
Oxalá se realize tal vontade!
Asseguro-te que o juramento que nos une
Nunca a distância o fará quebrar.
Doce é o nome que é o teu
E aqui fica escrito no poema: Itimad
Al Mutamid Ibn Abbad, séc. XI in Adalberto Alves “Al Mu' tamid, poeta do destino” 1999



Estátuas que evocam personagens árabes

Praça com o nome do famoso filho do rei que no século XI conquistou Silves.
Esta praça estende-se pela margem direita do rio Arade.
É um espaço privilegiado onde se realizam várias actividades culturais durante o Verão.























