Porto de Sines

Porto de Sines

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Adeus Verão. Olá Amigos!!






Antes de mais, quero cumprimentá-los e saudá-los, dando-lhes conta da retoma de actividade do Azimute.

UM... ATÉ BREVE!!... não o foi na verdadeira acepção da palavra, mas acabou por sê-lo [pelo menos para mim] uma vez que o tempo passou "num abrir e fechar de olhos".

O silêncio que alcancei nas minhas evasões para o Barrocal Algarvio [entre o Litoral e a Serra], onde mora a tranquiliade, fez-me sentir melhor. Ali tenho liberdade e não há limitações nenhumas. É puro descanso com a natureza por companheira. O silêncio possibilita-nos reparar nas coisas mais simples e valorizar o que é belo. Ouvir os sons da natureza.

Quem não se lembra do som característico das cigarras nos dias quentes de Verão? O seu canto é não só uma das armas de sedução dos machos para atrair as fêmeas, mas também para alertar para a presença de predadores.
Das borboletas [flores que voam], que quando alguém as quer caçar não fogem seduzem. São tão vaidosas que chegam a irritar.
Os gafanhotos herbívoros, por vezes de comportamento canibal, quando há a escassez de alimento e devoram-se uns aos outros.
As sardaniscas a aquecerem-se ao sol, ao início da manhã para ganharem mais mobilidade.
Os pardais buliçosos, quais galinhas, espojando-se na terra.

O Barrocal é interessante tem muito para se ver, pena é que seja a região mais pobre do Algarve.



Muitas alfarrobeiras, amendoeiras, tristes, silenciosas e abandonadas com o chão pejado dos seus frutos sem que alguém se disponha a apanhá-los e colhê-los? O mesmo vai já acontecendo com as laranjeiras. Os tempos mudaram, o custo da mão de obra não compensa. Havendo quem dê as alfarrobas e as amêndoas só pela limpeza do terreno. É mesmo assim!...

Aproveitei o tempo para recarregar baterias através das minhas caminhadas matinais e respirando ar puro, revisitando o litoral, a serra e... passeando um pouco.
Tudo isso procurarei partilhar convosco, na medida do possível.

UM ABRAÇO E... BOA SEMANA!!
Jorge

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Hoje eu estou cansado, por favor não me peçam nada!!!











Espero que os meus amigos tenham sorrido...


O azimute [ blog/aprendiz] solidariza-se com estes amigos, sente-se também um pouco cansado, vai fazer uma PAUSA , neste período estival para: repensar e optimizar este blog [estrutrura, temas, comentários], regressar à leitura, ao contacto com a natureza, usufruir de momentos ao ar livre mais tranquilo e relaxante no barrocal algarvio, não resistindo certamente ao desafio do mar para uns mergulhos e caminhadas à beira-mar.

Aos meus amigos virtuais que solidariamente me apoiam com o seu carinho e amizade, apelo ao bálsamo da sua tolerância e compreensão para eventuais pequenos desentendimentos ou mal-entendidos [não muitos diga-se] enviando daqui um grande abraço para todos, despedindo-me com


UM...

ATÉ BREVE!!

JORGE

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Silves / Xilb ou Xelb [II]









Retomando a história do domínio árabe na Península Ibérica giramos à volta da figura lendária de Al Mu'tamid Ibn Abbad político-poeta, que nos legou um património único que urge preservar, dar a conhecer e reviver.

Com a queda do Califado de Córdoba e na ausência de um poder aglutinante, surgiram na Península Ibérica em 1031, uma série de reinos independentes, movidos e disputados pelas diferentes forças locais: árabes, moçárabes e convertidos.

É neste ambiente de disputa que os Abábidas criam a Taifa de Sevilha, que cedo engloba a região do Gharb e Silves, Al Mu'tamid Ibn Abbad, Senhor de Sevilha, torna-se também senhor de Silves, e nomeia como Governador o seu filho Al Mu'tamid Ibn Abbad, nascido em 1040 em Beja, que fará de Silves a sua capital, a partir de 1053.

É ao lado de Ibn Ammar, poeta natural da região [Estombar] e que se tornará seu amigo, que Al Mu'tamid reúne em Silves uma corte de intelectuais, poetas e geógrafos, [Mariame Alansari, Assilba, Ibn Qasi, Ibn Badrum, etc.] que farão de Silves uma capital, não só política como administrativa, mas também cultural, atingindo um esplendor nunca visto e uma importância considerável em todo o Extremo Ocidente.

A vida de Al Mu 'tamid / Poeta do Destino está na poesia e a poesia na sua vida.

É dele este poema:


Inocultável

por receio de quem espia
com muita inveja a roer
ela não veio nesse dia
pra assim traída não ser
pla luz do rosto esplende,
plas jóias a tilintar,
e plo perfume do ambar
a que o corpo rescende.

é que ao rosto, com manto,
tapá-lo inda poderia,
e as jóias entretanto,
fàcilmente as tiraria,
mas a fragância do encanto
pra ocultá-la que faria?


Em 1069, Al Mu'tamid deixa Silves e torna-se rei de Sevilha confiando Silves ao seu amigo Ibn 'Ammar.

O relacionamento entre Al' Mutamid e Ibn 'Ammar torna-se cada vez mais difícil, possessivo e inclusivamente ofensivo, chegando ao ponto de Ibn 'Ammar compor poemas em que ridiculariza 'Itimad, a bela mulher do rei-poeta, conhecida na corte de Sevilha como a Saídat-al-Kubra [a grande senhora], odiada por muitos juristas e religiosos prontos a traírem o seu nome e do seu soberano.


A AL MU'TAMID

Nada me move, meu príncipe,
Senão a tua vontade.
Contigo vou,
Como viajante noturno
Guiado pelo clarão dos relâmpagos.
Queres voltar para a tua amada?
Vai num rápido veleiro
E seguirei no teu encalço,
Ou salta antes para a sela,
Contigo irei também.
E quando,
Graças à protecção divina,
Chegarmos aos umbrais do teu palácio
Permite que torne sòzinho à minha casa.
Não percas tempo a sacar da espada!
Lança-te aos pés da que tem a cintura delicada
E compensa-a do tempo perdido.
Beija-a e aperta-a contra o peito.
E murmurem vossas bocas
Meigas e doces palavras,
Como os pássaros se respondem mutuamente
Em suaves cantos ao romper de alva




Perdoa e ganhará o amor
Um outro realce, outra beleza.
É que se punires será o rancor
A tomar mais evidência e mais clareza.

(...)

Perdoa! O que partilhamos me redime
Nos espaços perfumados do Allah
Apaga os vestígios do meu crime!
Venha da clemência o teu soprar
E tudo enfim desaparecerá.

(...)

Que se eu morrer, fique contigo
Uma réstea de consolação.
Morrerei mas levarei comigo
A violência da minha afeição.


Poemas escritos por Ibn 'Ammar


Ibn 'Ammar trai várias vezes Al Mu'tamid que em nome do passado sempre lhe perdoa, mas no final acaba por mandar prendê-lo e mata-o na sua cela.

O final do reinado do rei-poeta fica marcado pelas ameaças cristãs ao seu reino, que o levam a pedir apoio ao novo soberano de Marrocos, Yussuf Ibn Tachfin, líder da Dinastia Almorávida e fundador da cidade de Marraquexe.

A entrada dos Almorávidas na Península é impiedosa, unificando o território sob o seu poder e desterrando Al'Mutamid e sua mulher 'Itimad para Agmat, nos arredores de Marraquexe, onde terminam os seus dias num miserável cativeiro.


"Grilheta, não sabes que já sou teu?
Porque és dura e sem piedade?
Se esse ferro deste sangue já bebeu
E a minha própria carne já morde
Não me roas os ossos por maldade."


Poema escrito por Al Mu'tamid





Túmulo de Al Mu'tamid




Actualmente a figura de Al Mu'tamid constitui mais do que nunca o ponto de convergência de sábios, poetas, historiadores, linguistas ou responsáveis políticos para recuperação de um passado comum e uma estratégia de cooperação entre Portugal Espanha e Marrocos.

Fonte:Internet

terça-feira, 27 de julho de 2010

Silves / Xilb ou Xelb [I]

São frequentes as minhas evasões para a Quinta das Cortes, quinta secular de compropriedade familiar, situada no alto do barrocal algarvio, entre a beira-mar e a serra, no sopé de um cerro, próxima de S. Bartolomeu de Messines [terra do guerrilheiro Remexido e do poeta João de Deus].

Ali ignorando o relógio, desconhecendo horários, rodeado de alfarrobeiras, figueiras e amendoeiras, com o mar a desafiar-me na linha do horizonte, tenho tempo para divagações e invocações de quiméricos projectos, justapondo as minhas raízes rurais transmontanas.

De manhãzinha ou à tardinha, gosto de andar pelos carreiros , por vezes, surpreendido por uma cobra que os atravessa ou um coelho que salta da sua cama próxima, ao mesmo tempo que me regalo com o canto dos passarinhos e das rolas gordas, das poupas, dos picanços e outras aves, que esvoaçam de árvore em árvore, bem como perscrutar as corujas que se acoitam nos buracos das paredes da nora, à boca da qual vou provar o eco.
Observo ainda o brilho reluzente dos pirilampos, luzes perenes no escuro das noites.
Os meus pássaros preferidos, desde a infância, são os irrequietos pintassilgos doirados, pela alegria do seu canto e cores vivas da sua plumagem. De quando em também diviso um camaleão, regalado ao sol ou movimentando-se lentamente, num ramo de uma árvore à espera de lançar a língua pegajosa [enrolada dentro da boca] para fora, por forma a alcançar o alimento.















Nas minhas ausências deste paraíso rural vou a Messines ou a Silves onde no Al Karib, num ambiente tranquilo, saboreio o meu café [com um rebuçado] e leio as últimas no meu diário preferido, o JN.
O nome Al Karib faz jus às tradições árabes de Silves.

Silves cidade histórica do Algarve, situa-se também no barrocal algarvio. A sua importância ao longo da sua história deve-se muito ao rio Arade, que corre lentamente para o mar e sempre serviu a cidade e as suas férteis margens.

As suas origens, muito remotas, são de difícil datação. Pensa-se ter origem anterior á chegada dos cartagineses, talvez de fundação fenícia [900 a.C.].

OS ÁRABES EM SILVES

É no período Árabe, entre o século VIII e XII, quando o seu nome é Xilb ou Xelb, que atinge o seu esplendor tornando-se uma das mais importantes cidades do Garb al-Andalus. Foi então várias vezes capital e desse período legou-nos uma quantidade de vestígios que não deixam dúvidas sobre o seu nível cultural dessa época.

Ocupada pelos árabes vindos do Iémen e por colonos norte-africanos após a ocupação da península ibérica no século VIII, Silves passou a fazer parte do califado Omíada de Damasco e abraçou a civilização especial árabe. A cidade era o berço da dinastia independente, a de Banu Muzain.

Em 1053 foi conquistada por Al-Mutamid, senhor do Reino de Taifa de Sevilha através do comando do seu filho Al-Mutamid que transformaria Silves numa cidade cosmopolita, admirada por todo o império Muçulmano, onde a cultura assumiu posição de grande importância "A poesia de AL-MU’TAMID".

Além de Governador de Silves e Rei de Sevilha de 1053 a 1091, Al-Mu’tamid permaneceu na história como grande poeta que nos levou a uma admirável e nostálgica poesia, que poetas, escritores e historiadores árabes não deixaram de glorificar. De características amorosas, trágicas e históricas a sua poesia testemunha não só uma época histórica muito conturbada, como descreve com grande minúcia os ambientes exuberantes, os prazeres, as vivências eos sentimentos que rodearam.

É de Al-Mu’tamid a mais antiga referência ao Palácio das Varandas e a uma das mais belas descrições de Silves:



EVOCAÇÃO DE SILVES


SAÚDA, por mim, Abû Bakr
Os queridos lugares de Silves
E diz-me se deles a saudade
É tão grande quanto a minha.

Saúda o Palácio dos Balcões
Da parte de quem nunca o esqueceu,
Morada de leões e de gazelas
Salas e sombras onde eu
Doce refúgio encontrava
Entre ancas opulentas
e tão estreitas cinturas.

Ai quantas noites fiquei,
lá no remanso do rio,
Preso nos jogos do amor
com a pulseira curva,
Igual aos meandros da água,
enquanto o tempo passava…

ela me servia vinho:
o vinho do seu olhar,
às vezes o do seu copo,
e outras vezes o da boca.

tangia-me o alaúde
e eis que eu estremecia
como se tivesse ouvido
tendões de colos cortados.

Mas se retirava as vestes
grácil detalhe mostrando,
era ramo de salgueiro
que me abria o seu botão
para ostentar a flor.

A sua mulher Itimad Al-Rumaykya um dos seus mais belos poemas de amor.

Acróstico

Invisível a meus olhos
Trago-te sempre no coração
Te envio um adeus feito paixão
E lágrimas de pena com insónia.
Inventaste como possuir-me
E eu, ó indomável, submissa vou ficando!
Meu desejo é estar contigo sempre,
Oxalá se realize tal vontade!
Asseguro-te que o juramento que nos une
Nunca a distância o fará quebrar.
Doce é o nome que é o teu


E aqui fica escrito no poema: Itimad

Al Mutamid Ibn Abbad, séc. XI in Adalberto Alves “Al Mu' tamid, poeta do destino” 1999





Estátuas que evocam personagens árabes



Praça com o nome do famoso filho do rei que no século XI conquistou Silves.
Esta praça estende-se pela margem direita do rio Arade.


É um espaço privilegiado onde se realizam várias actividades culturais durante o Verão.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Por um Mundo Melhor



É-me impossível recusar o amável convite da amiga Rê [www.toforatodentro.blogspot.com/] para participar Por um Mundo Melhor.

Com a convicção de que a mudança POR UM MUNDO MELHOR deve começar em nós próprios, praticando com sinceridade e persistência, pouco a pouco , passo a passo, sendo capazes de reorganizar os nossos hábitos e atitudes gradualmente de modo a pensarmos menos nos nossos próprios interesses e mais nos dos outros. Ao fazê-lo desfrutaremos da paz e da felicidade.

Transmitindo um sinal de que o mundo pode ser diferente, pode ser melhor, formulo:



UM APELO

Assim Devemos:

Assegurar que todas as crianças cresçam e se desenvolvam em ambientes familiares livres de privação e exclusão.

Garantir a todos o livre acesso a educação, saúde e habitação condignas.

Não forçar os outros a mudar. Aprendamos a aceitá-los como são. A nossa felicidade está intimamente ligada com a felicidade dos outros.

Lutar contra a discriminação racial, religiosa, sexual ou de quem pensa diferente.

Não voltar as costas aos que têm uma aparência estranha, aos miseráveis e aos enfermos.

Cultivar uma atitude positiva. A experiência do sofrimento pode-nos abrir os olhos para a realidade.

Garantir aos idosos condições de vida dignas.

Os ricos deverão utilizar a sua riqueza com inteligência [não numa vida luxuosa] partilhando-a com os necessitados - a maioria não o faz.

Nós os humanos somos a única espécie que tem poder para destruir a Terra. Não é o meio ambiente que precisa de ser restaurado, é o nosso comportamento que precisa de mudar.

Saber que na sepultura todos somos iguais.


Convido todos que estiverem empenhados em publicar algo sobre este tema, que o façam, devendo para o efeito exibir no blog a imagem do selinho, indicar o link do blog que lhe proporcionou o sêlo e convidarem os amigos.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Paquete Príncipe Perfeito [Jantar Volante] - 1972


O Principe Perfeito, com a sua chaminé original preta, era um dos mais belos e modernos paquetes da CNN [Companhia Nacional de Navegação].
Fazia carreiras de Lisboa até à costa oriental de África, escalando os portos do Funchal, S.Tomé [fundeava ao largo], Luanda, Lobito, Moçamedes, Cap Town, Lourenço Marques, Beira, Moçambique e vice-versa.


No gozo de licenças graciosas, viajei no Paquete Príncipe Perfeito, em 1965, 1966 e 1972.

Lembro-me dos seus salões, dos seus bares e salas de apoio, dos seus decks com cadeiras espreguiçadeiras, das suas piscinas ao ar livre, dos camarotes com suas vigias e beliches. Era um mundo sem fim onde podíamos dar asas à nossa curiosidade.

Sendo ainda de salientar as festas a bordo, a "Passagem Equador" [um autêntico Carnaval], as saídas nos portos onde atracava, para visita, passeio e compras pelas cidades.
Tenho excelentes recordações dessas viagens e uma ligação afectiva a esse paquete. Era um verdadeiro paraíso em forma de barco.

Na última viagem, de Lisboa para Lourenço Marques, a memória do tempo leva-me até 18/11/1972, dia em que Avô [médico de bordo], Filho/primogénito [auxiliar de médico de bordo] e Neto/primogénito viajavam, em pleno Oceano Atlântico, na Costa Ocidental de África, rumo ao Porto de Lourenço Marques, capital de Moçambique.

Foi servido um magnífico JANTAR VOLANTE a bordo.
Que tal se déssemos uma espreitadela na EMENTA daquele dia? Há sempre a curiosidade de se saber o que se comia e quais as especialidades e iguarias gastronómicas a bordo.


JANTAR VOLANTE




E M E N TA
___________________



Caldo de galinha clarificado

Bacalhau à Braz

Filetes de linguado Orly

Robalo à Florista

Lagosta à Bela Vista

Arroz de frango à Valenciana

Medalhinhas de vitela com cogumelos

Perú assado à Portuguesa

Galantina Imperial

Fiambre Moscovita

Mortadela Italiana

Frango assado trinchado

Bouchés de foie-gras

Cornucópias de presunto de Chaves

Croquetes Perigoult

Pãesinhos da Meia-Noite

Sanduíches variadas


________________



Bolo Rosas de França

Bavarois aux Fraises

Frosting de caramelo

Doce de coco à Brasileira

Bolo enrolado Negrita

Milfolhas à Moderna

Pastelaria Francesa

Sorvetes variados







No fim da viagem, desembarcamos em Lourenço Marques, onde nos aguardava o resto da família que tinha viajado antecipadamente num avião dos TAP [Transportes Aéreos Portugueses].


O Avô reembarcou proseguindo, a bordo do Príncipe Perfeito, o exercício da sua actividade profissional ao serviço da Companhia Nacional de Navegação.

Reformou-se aos... 74 anos.

No V Congresso Nacional de Medicina, de 16 a 20 de Outubro de 1983, na Gulbenkian, foi homenageado com o Diploma de Médico Jubilado.

Depois de de uma merecida reforma, partiu para a sua última viagem aos... 92 anos.

Perduram, na memória do Filho e do Neto, as recordações daquela maravilhosa viagem, dos representantes de três gerações.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Usando o Lado Oposto



Deus costuma usar a solidão para
nos ensinar sobre a convivência.

Às vezes, usa a raiva para que possamos
compreender o infinito valor da paz.

Outras vezes, usa o tédio quando quer
nos mostrar a importância da aventura e
do abandono.

Deus costuma usar o silêncio para nos ensinar
sobre a responsabilidade do que dizemos.

Às vezes usa o cansaço para que
possamos compreender o valor
do despertar.

Outras vezes, usa a doença quando
quer nos mostrar a importância da saúde.

Deus costuma usar o fogo para nos
ensinar sobre a água.

Às vezes, usa a terra para que possamos
compreender o valor do ar.

Outras vezes, usa a morte quando quer
nos mostrar a importância da vida.

Fernando Pessoa

domingo, 4 de julho de 2010

Pranayam!!!(adeus dor de cabeça)

Será que é verdade?



" PRANAYAM "





O nariz tem um lado direito e um esquerdo; usamos ambos para inspirar e expirar.

Na verdade eles são diferentes: o direito representa o Sol, o esquerdo, a Lua.

Durante uma dor de cabeça, tente fechar a narina direita e usar a esquerda para respirar.

dentro de cerca de cinco minutos a dor de cabeça deve ir embora.


Se você se sente cansado, faça o contrário: feche a narina esquerda e respire pela direita. Num instante sentirá sua mente aliviada.

O lado direito pertence ao "quente" (Sol) por isso esquenta rapidamente, o esquerdo pertence ao "frio"(Lua)

A maior parte das mulheres respira com o lado esquerdo do nariz, então se resfriam rapidamente.

A maioria dos homens respira pela narina direita e isso os influência.



Repare no momento em que acordamos, qual dos lados respira melhor , ou mais? Direito ou esquerdo?

Se for o esquerdo você se sentirá cansado.

Então, feche a narina esquerda e use a direita para respirar, você se sentirá aliviado rapidamente.

Isso pode e deve ser ensinado às crianças, mas é mais efetivo quando praticado por adultos.

Meu amigo costumava ter fortes dores de cabeça e sempre ia ao médico.

Houve um tempo em que sofria de dores de cabeça literalmente todas as noites, ficando incapacitado para estudar

Ele tomava analgésicos , mas não funcionavam.

Ele decidiu tentar esta terapia de repiração: fechava a narina direita e respirava pela esquerda.

Em menos de uma semana sua dor de cabeça foi-se. Continuou o exercício por um mês.

Essa terapia alternativa natural, sem medicamentos é algo em que ele tem experiência.

Então, por que não tentar?
Namastê!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Colonos "Navegadores"


Naqueles tempos longínquos, meados do século passado, Portugal era um país com mais de 50% de analfabetos, trabalhando 80% da sua população para a agricultura. Não tinham poder de reivindicação. Era o tempo da crise e da fome.

Em Vilarinho da Castanheira [concelho de Carrazeda de Ansiães] a sua população era de uma ruralidade de enxada às costas. Viviam ao ritmo do Sol. Cavavam, lidavam nas casas e nos campos; sempre no mesmo género de vida desagradável e dura, com vagas compensações de longe em longe, mas sempre curvados para a terra ou nas oficinas poeirentas.

Ali cresci, privilegiado em relação à grande maioria dos garotos da minha geração. Lidei de perto com gente muito pobre e necessitada.
Alguns vestiam uma "roupa nova" – calças de cotim e uma camisa de riscado, – no dia da Festa da Nossa Senhora da Assunção e só a despiam na festa do ano seguinte. Os que não andavam descalços, calçavam tamancos - “socos”. Assoavam-se com um lenço de... "cinco pontas".
Mães para lavarem a roupa dos filhos, despiam-nos, ficando estes nus, até poderem vestir a roupa novamente.

Passava-se muita fome. Muitas vezes, nem uma côdea de pão tinham para comer.
Famílias um pouco mais afortunadas, comiam a sua refeição principal junto à lareira, num prato enorme. Quem mais depressa se despachava melhor alimentado ficava.

Mães gritavam pelos numerosos filhos ao fim da tarde, antes do anoitecer..
Muitas casas tinham uma só divisão, paredes meias com os animais domésticos. Dormiam todos na mesma cama; uns para a cabeceira outros para os pés.

Gracejava-se então, que podia uma pessoa nascer, viver e morrer sem sair de Vilarinho.

Os numerosos filhos da "Polaca", por exemplo, andavam descalços, nus ou quase nus, em pleno Inverno na calçada, diante da porta do casebre. Eram exemplos de miséria ostensiva, tanto material como espiritual.
Em frente, morava o Regedor. A miséria em que vivia aquela família, parece que não lhe dizia respeito, nem o incomodava.
Naquele tempo, o Regedor tinha que zelar pela manutenção da ordem. Tinha poderes para entrar na casa de qualquer pessoa, do nascer ao por do sol e, se necessário, dar voz de prisão. Os detidos ficavam, provisoriamente trancados, numa loja térrea por baixo da sua casa. Logo que possível eram transferidos para a sede do concelho.

Mais tarde, na década de cinquenta, famílias numerosas de Vilarinho e de outras aldeias de Trás-os-Montes, cansadas da pobreza, foram expulsos pela miséria, das suas bermas natais, embarcando às centenas no cais de Alcântara, em Lisboa, em paquetes da CNN [Companhia Nacional de Navegação] e CCN [Companhia Colonial de Navegação] e... "navegaram" para Angola e outros, que conheci, para Moçambique, como "colonos" onde, no Vale do Limpopo, lhes eram distribuídas terras [machambas] para cultivo. De agricultores passaram a "machambeiros" e outros dedicaram-se ao comércio abrindo cantinas [a cantina do Botelho era uma referência], com o fim de garantirem a ocupação daquela região de Moçambique .

O Vale do Limpopo era uma autêntica zona rural de Portugal Continental em Moçambique.
A Vila do Guijá, a cerca de 200Km de Lourenço Marques, mais tarde, Vila Trigo de Morais [em homenagem ao Eng. Trigo de Morais - transmontano de Mirandela e "arquitecto" do Plano de Irrigação do Vale do Limpopo, um dos maiores sistemas de regadio da África Austral], sediava todo o apoio logístico e comercial, sendo elevada, em 1971, à categoria de cidade.

Após o 25 de Abril, com a descolonização, a grande maioria destas famílias, regressou, às "vagas", de barco ou de avião a Portugal, com uma mão cheia de nada, deixando tudo para trás ao abandono, procurando reinstalar-se nas suas terras de origem e reconstruir as suas vidas.

O Estado Moçambicano tomou posse dessas terras e redistribuiu-as pelos seus "camponeses".

Em 1976, Trigo de Morais passou a denominar-se Chokwé, continuando, apesar de tudo, a lembrar Portugal e a Alma Portuguesa...

terça-feira, 22 de junho de 2010

S. João do Porto


Eu sou do tempo – o saudoso tempo da minha mocidade – em que o S. João do Porto era, para um portuense da minha geração, uma multiplicação de alegria, uma sensação de estar ligado aos outros, a imagem das cascatas de musgo e bonecos de barro, o ritual dos balões, os sons dos bailaricos, sardinha assada, broa e manjericos, culminando com o fogo de artifício a estralejar no rio Douro.
Velhos e novos não se deitavam, na noite de todas as licenças.
Toda a gente saia de casa durante toda a noite, saudando-se rostos desconhecidos que se falavam e sorriam, subitamente felizes e com um alho-porro na mão e misturar-se com uma imensa maré de gente, seguindo com essa multidão - desde a torre dos Clérigos até à praça da Batalha e às Fontainhas, de Matosinhos à Ribeira, passeando também pelo Palácio de Cristal…
Ninguém se importava com as cacetadas de alho-porro, e, com a entrada mais tarde, dos martelinhos de plástico – parece que estavam mesmo a pedi-las…
Rapazes e raparigas de mãos dadas rindo e cantando sem parar.

A noite era longa mas ninguém arredava pé até chegar a luz do dia, acabando por se tornar a noite mais curta do ano.



Nas Fontainhas acabava o barulho da festa.


Lentamente, esquecidos de tudo, regressam a casa.