
Eu sou do tempo – o saudoso tempo da minha mocidade – em que o S. João do Porto era, para um portuense da minha geração, uma multiplicação de alegria, uma sensação de estar ligado aos outros, a imagem das cascatas de musgo e bonecos de barro, o ritual dos balões, os sons dos bailaricos, sardinha assada, broa e manjericos, culminando com o fogo de artifício a estralejar no rio Douro.
Velhos e novos não se deitavam, na noite de todas as licenças.
Toda a gente saia de casa durante toda a noite, saudando-se rostos desconhecidos que se falavam e sorriam, subitamente felizes e com um alho-porro na mão e misturar-se com uma imensa maré de gente, seguindo com essa multidão - desde a torre dos Clérigos até à praça da Batalha e às Fontainhas, de Matosinhos à Ribeira, passeando também pelo Palácio de Cristal…
Ninguém se importava com as cacetadas de alho-porro, e, com a entrada mais tarde, dos martelinhos de plástico – parece que estavam mesmo a pedi-las…
Rapazes e raparigas de mãos dadas rindo e cantando sem parar.
A noite era longa mas ninguém arredava pé até chegar a luz do dia, acabando por se tornar a noite mais curta do ano.

Nas Fontainhas acabava o barulho da festa.

Lentamente, esquecidos de tudo, regressam a casa.





















