Porto de Sines

Porto de Sines

terça-feira, 1 de junho de 2010

Pescado na Rede do Teu Pudor



Sereia, naufrágio do meu coração,
Sou marinheiro, perdido no eco da tua canção,
Pescado na rede do teu pudor
Com o peito rasgado de amor.

[S.A.C./Auspicious 01.Junho.1977-20.Dezembro.2008]

sábado, 29 de maio de 2010

A Vida




A vida e o sobrenatural
A vida é um apontamento à margem
Das leis que regem o universo.
Ela é apenas uma passagem,
Que tem face e nada se sabe do verso.

O verso, se o houver,
Será a razão explicativa
Da razão de viver
E da razão de outra vida.Então tudo será natural,
Tudo estará certo.
A explicação do sobrenatural
Estaria sempre assim tão perto.

[cajoco]

domingo, 23 de maio de 2010

O meu irmão

Jorge & Zito

O nosso irmão é boa companhia,
tanto na tristeza como na alegria.
O nosso irmão faz-nos sentir poesia,
abrindo uma janela que só ele sabia.

Um irmão delicado que nos fala verdade,
e nos ajuda a viver a nossa liberdade.
Tu estás, meu irmão tão a mim ligado,
que nesta ocasião só te digo obrigado.

terça-feira, 18 de maio de 2010

O "Vilares Alfaiate"


Alfaiate é uma profissão picuinhas. Uma profissão aparentemente fácil vista por quem está de fora.
O cliente, depois de escolher o tecido, levava-o ao alfaiate para fazer o fato. Este marcava-o com giz afiado, cortava o modelo escolhido pelo cliente e alinhavava-o. Tirava as provas, entrando aí as costureiras, sempre presentes num bom alfaiate.
O alfaiate Vilares morava para lá da rua Costa Cabral. Era um homem sempre bem disposto, tendo sempre algo para contar durante as provas. Foi o alfaiate recomendado pelo Amílcar, filho da D. Purificação Barbosa, dono da “Pastelaria Castelar” em Costa Cabral, próxima do cinema Júlio Dinis.
Depois de mudarmos para a Rua Padre Cruz, passou a ser também o nosso alfaiate. Fez fatos, para mim e para o Zito.
Recordo um fato, em tecido cheviote azul, com riscas brancas. O feitio era de trespasse.
Fizemos as provas, tudo correu bem. A entrega estava prevista para o fim-de-semana seguinte.
Passamos tardes inteiras de três fins-de-semana, à janela, ansiosos a aguardar a entrega dos tão almejados fatos – normalmente entregues, por uma costureira, em casa do cliente.
Os fatos, nada de aparecerem. Metemos os pés ao caminho e fomos ver o que se passava. Estavam como tinham ficado após a última prova. O senhor Vilares não se desmanchou, contou-nos umas das suas belíssimas histórias e garantiu-nos que, no próximo fim-de semana teríamos os fatos prontos, o que realmente aconteceu num domingo de manhã.
Eu, e o meu mano, esquecemos todas as peripécias das esperas, enfiamos as farpelas novas e toca de ir passear.
Desabafo do Zito: «Oh Jorge! Os nossos fatos podem não ser os melhores, mas de certeza que são os mais novos de todos». E lá andamos felizes da vida a passear pelo Porto.
Antes de sair, passava a ferro o meu fato e a camisa, a preceito.
Gostava de vestir bem. Só vestia o fato novo aos domingos e em ocasiões solenes. O Zito, pelo contrário, enfarpelava-se quando lhe apetecia.
No intervalo das aulas, no então Liceu D. MANUEL II, para o almoço, mal chegava a casa, arregaçava as calças para não gastar as bainhas e tirava a gravata para não a sujar ou manchar. Só que, por vezes, esquecia-me de baixar as bainhas das calças e saia assim para a rua. As miúdas riam-se, e eu pensava que estava a fazer boa figura. Só mais tarde dava conta, por mim, ou por me chamarem a atenção.

sábado, 15 de maio de 2010

A pedrinha









Confie...


As coisas acontecem na hora certa
Exactamente quando devem acontecer!
Momentos felizes, louve Deus.
Momentos difíceis busque Deus.
Momentos silenciosos, adore Deus.
Cada momento, agradeça a Deus.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

JANTINHA?!?!

Esta é de doer....

A pergunta foi: qual é a função do apóstrofo?
[Para quem não se lembre, o apóstrofo é aquele "risquinho" que serve para suprimir vogais entre duas palavras....

Ex: caixa d'água

E a resposta imperdível merece um troféu:

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O "Aníbal Ferrador"

Os piões e a baraça

A caixa das ferramentas



Naquele tempo, os artífices eram designados pelo nome próprio agregado ao da profissão: "Aníbal Albardeiro", "Artur Alfaiate", "Fernando Latoeiro", "Alfredo Sapateiro", etc. , ou então, prevalecia uma característica do aspecto físico: "João Grande"[barbeiro], "Horácio Manco"[ferrador] e outras designações: "Pressas"[serrador], "Fala Barato"[carpinteiro] e por aí adiante...

Era ao "Aníbal Ferrador" que, eu e os outros garotos, recorríamos para substituir os ferrões de origem dos nossos piões, por outros maiores e mais afiados, a fim de competirmos no jogo do pião, dando maiores nicas e por conseguinte infligindo maiores estragos, aos dos nossos "adversários". [Alguns preveniam-se com outro pião só para levar nicas].
O bom do Senhor Aníbal, tinha uma pachorra infinda para aturar as nossas madurezas.
Quando tinha trabalho na forja e/ou na bigorna, dizia: " Deixem pra aí os piões e venham precurá-los daqui a um cibo.
E, daí a um cibo, lá estávamos novamente para levar os piões prontos artilhados com ferrões de competição, novezinhos em folha.
Quanto é Senhor Aníbal? - peguntávamos. Não é nada, pagam soitordia.
Era também o "Aníbal Ferrador” [pai do Albano, meu colega de classe, na Escola Primária] , sempre bonacheirão, atencioso e bem disposto, [não dispensava os seus copitos do tinto e de aguardente bagaceira destilada na alquitarra ], quem substituía, com muita competência, as ferraduras da Carriça - uma magnífica égua, de grande estimação, do meu pai.
Então, de costas viradas para o animal, levantava-lhe a pata e começava por desferrá-lo, arrancando os cravos da ferradura, a fim de a soltar do casco. Seguidamente, sempre com a caixa da ferramenta à mão, aparava a base do casco com um formão, procurando adaptar-lhe a ferradura nova em ferro, afeiçoada prèviamente na bigorna. Uma vez adaptada a ferradura, fixava-a com os cravos a martelo, que apareciam mais acima no casco, dobrando-os com o martelo e cortando-os com a turquês. Por fim, com a grosa, limava o rebordo do casco à face exterior da ferradura.
Ferrar um cavalo demorava cerca de uma hora. As más ferrações podem deixar cavalos coxos.
Os bois e alguma besta mais brava, tinham que ir ao tronco, situado no Eirô, ao fundo das traseiras do adro da Igreja, onde eram ferrados com a pata amarrada com uma soga.
O meu colega Albano, feita a 4ª classe, emigrou para o Brasil...Nunca mais os nossos caminhos se cruzaram na estrada desta vida.
... Cresci, estudei, cabulei e... um dia, fiz as malas, evadi-me das minhas raízes, embarquei no Cais de Alcântara, a bordo do paquete Moçambique, na rota de Vasco da Gama, até... Moçambique.
O "Anibal Ferrador" ficou na amnésia selectiva da minha memória.
Sete anos depois retornei, de licença graciosa, à Metrópole.
Num fim de tarde, depois da sesta [costume estival, naquele tempo] ia a pé com o meu pai para o campo, quando a mulher do "Aníbal Ferrador", muito aflita, se lhe dirige: "Senhor doutor o meu homem parece que tem a atriz [icterícia].
O médico foi ver o doente e constatou que padecia de cirrose, já num estádio tão adiantado que, no dia seguinte, o acompanhou de comboio até ao Porto, deixando-o internado e recomendado no Hospital de Santo António.
Passados dias, já noitinha, passou uma ambulância na rua e, pouco depois, o médico foi chamado para ir ver o "Aníbal Ferrador".
De regresso a casa, após um longo silêncio, o médico desabafou: "O Anibal Ferrador" não deve passar desta noite". E foi assim que, no dia seguinte, o bom do Senhor Aníbal, que evoco com muito carinho e emoção, entregou a alma ao Criador...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

QUASE


Ainda pior que a convicção do não,
e a incerteza do talvez,
É a desilusão de um Quase!

É o Quase que me incomoda,
que me entristece,
que me mata
trazendo tudo o que poderia
ter sido e não foi

Quem quase ganhou
ainda joga!

Quem quase passou
Ainda estuda!

Quem quase amou
Não amou!

Basta pensar nas oportunidades
que escaparam pelos dedos,
nas ideias que nunca sairam do papel,
por essa maldita mania
de viver no Outono.

Pergunto-me, às vezes,
o que nos leva a escolher
uma vida morna.

A resposta eu sei de cor, está estampada
Na distância e na frieza dos sorrisos
Na frouxidão dos abraços,
Na indiferença de um bom dia quase que sussurrado

Sobra covardia e falta de coragem até para se ser feliz.
A paixão queima! O amor enlouquece! O desejo trai!

Talvez estes fossem
bons motivos para decidir
entre a alegria e a dor

Mas não são.

Se a vida estivésse mesmo
no meio-termo...

O mar não teria ondas!
Os dias seriam nublados!
O arco-íris em tons de cinza!

[Sarah Westphal]

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Quem não se lembra?!!!



Rádio Clube de Moçambique
Mensagem de Boas Noites

Para todos os que viajam a bordo dos barcos que percorrem os sete mares.
Bom tempo e boa viagem!

Para os humildes guardiões do oceano, os faroleiros, que iluminam os escolhos da beira-mar.
Que a paz desça sobre a vossa solidão e paire longe o perigo do nevoeiro!

Para as tripulações das linhas aéreas, cruzando alto o céu dos cinco continentes.
Que o perigo se afaste do vosso voo e que as aterragens sejam seguras!

Para os que trabalham e viajam nos comboios, através desta África imensa.
Que a viagem prossiga sem sobressaltos e em segurança!

Para os que conduzem viaturas ao longo das estradas solitárias e mergulhadas na treva.
Que saibam moderar a velocidade e que regressem sãos e salvos ao lar!

Às mães que docemente debruçam sobre os berços a sua inquietação.
Que durmam em paz e acordem repousadas e tranquilas!

Aos soldados da paz e aos que guiam ambulâncias.
Que Deus vos proteja dos perigos e riscos das vossas nobres profissões!

Aos médicos e enfermeiros que socorrem os doentes e exaustos.
Que Deus vos abençoe na vossa missão de misericórdia!

Aos que vivem no mato e a ele deram a sua juventude, as suas forças, os seus sonhos.
O nosso pensamento vai para vós, para o isolamento e a luta constante das vossas vidas.

E a todos os demais que nos ouvis, onde quer que vos encontreis, sãos ou enfermos.
Que esta mensagem de fraternidade chegue, através do éter, aos vossos corações.

BOA NOITE E QUE A BENÇÃO DO CÉU DESÇA SOBRE VÓS!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O BARDO DO SONHO

O bardo do sonho dura desde o momento de se começar a dormir até ao momento de se acordar e inclui o sonhar e o dormir sem sonhar. Adormecer é considerado semelhante ao processo de morrer, dado que a consciência gradualmente se vai esvaindo. O estado inconsciente que ocorre quando o sono nos toma é encarado como sendo a mente a descansar no seu estado natural. Para utilizar oportunidades que este bardo oferece, é necessário ver a vida acordada normal como insubstancial e ilusória, como o estado do sonho - prática do "corpo ilusório".
A prática do corpo ilusório procura inverter a nossa dependência da vida comum consciente através de práticas destinadas a controlar os sonhos, simples emanações da vida de sonho. Uma interpretação do bardo do sonho pode assim levar-nos a uma visão da natureza ilusória de todos os fenómenos, à medida que nos apercebemos que a nossa vida acordada não é diferente do estado de sonho.

in O Caminho Tibetano